Tibetanos e policiais entram em choque no Nepal, 130 são detidos

Por Gopal Sharma KATMANDU (Reuters) - Monges e monjas de cabeça raspada e usando roupas avermelhadas entraram em choque com a polícia em uma manifestação pró-Tibet realizada em Katmandu, nesta sexta-feira, no mais recente de uma série de protestos contra a China.

Reuters |

As autoridades do Nepal afirmaram ter detido 96 homens e 34 mulheres.

'Resolvam a crise no Tibet por meio do diálogo, não das armas', afirmava uma faixa amarela exibida pelos manifestantes.

'A China está brincando com os direitos humanos', dizia outra faixa carregada por ativistas que usavam coletes amarelos.

Outros acenavam com um grande retrato do Dalai Lama, o líder espiritual do Tibet que vive exilado na Índia.

'Parem com os assassinatos no Tibet. Queremos paz', gritou um manifestante que afirmou chamar-se Karma. Quatro policiais o colocaram, logo depois, em um furgão.

O Nepal transformou-se em palco quase diário de protestos contra a China. As mobilizações foram suspensas durante um breve período de tempo na semana passada, durante as eleições nacionais.

O governo chinês, um importante doador de verbas ao empobrecido Nepal para acelerar seu desenvolvimento econômico, conclamou o governo nepalês a impedir os protestos dos tibetanos.

Os manifestantes foram arrastados por policiais para dentro de furgões e caminhões com grades antes de serem levados para centros de detenção. Alguns receberam chutes dos policiais.

Mais de 20 mil tibetanos moram em assentamentos espalhados por esse montanhoso país do Himalaia desde que fugiram de sua terra natal após o levante malsucedido de 1959, por meio do qual tentaram acabar com o domínio chinês sobre o Tibet.

ÍNDIA

Na vizinha Índia, os exilados tibetanos também vêm realizando protestos constantes contra a China.

Nesta semana, o governo indiano mobilizou 15 mil policiais para impedir que os manifestantes tibetanos chegassem perto da tocha olímpica, carregada ao longo de uma via pública vazia em Nova Délhi.

Na sexta-feira, um dia depois da passagem da tocha, os tibetanos prometeram continuar com suas manifestações anti-China no território indiano.

O governo do Tibet no exílio também convocou a comunidade internacional a impedir a China de 'realizar atos brutais e um sistemático genocídio cultural no Tibet'. O apelo foi feito da sede do governo, instalado na cidade indiana de Dharamsala.

'Não posso sugerir nenhuma ação específica. A comunidade internacional deveria decidir-se e usar sua influência sobre a China, economicamente ou, se for o caso, pressionando esse país', afirmou a repórteres na sexta-feira, em Dharamsala, Samdhong Rinpoche, primeiro-ministro do governo tibetano no exílio.

O Nepal, que segue a política da China única e que considera o Tibet parte do território chinês, restringiu o acesso ao monte Everest entre os dias 1o e 10 de maio a fim de permitir que a tocha olímpica passe por ali sem problemas.

O governo chinês, que organiza os Jogos Olímpicos deste ano, pretende levar a tocha até o cume do Everest no próximo mês.

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