Tibetano ateia fogo ao próprio corpo antes de visita de presidente chinês à Índia

Homem em chamas corre por rua de Nova Délhi um dia antes da chegada de Hu Jintao ao país para cúpula do Brics

iG São Paulo |

Um homem tibetano ateou fogo ao próprio corpo durante um protesto contra a China nesta segunda-feira em Nova Délhi, capital da Índia, um dia antes de o presidente chinês, Hu Jintao, participar de uma cúpula dos Brics no país. A presidenta Dilma Rousseff também participará da reunião do grupo, que inclui Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul.

AP
Homem tibetano corre com o corpo em chamas em Nova Délhi, na Índia

O manifestante, identificado como Jampa Yeshi, correu com o corpo em chamas por uma rua de Nova Délhi na qual acontecia uma manifestação contra a China e a visita de Hu. Ativistas usaram água e bandeiras do Tibete para tentar apagar o fogo, até Yeshi ser levado ao hospital. Ele sofreu queimaduras em 85% do corpo e seu estado é grave.

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Manifestantes tentaram impedir que Yeshi fosse levado ao hospital, mas policiais conseguiram levá-lo à força. Segundo ativistas, Yeshi tem 27 anos, deixou o Tibete em 2006 e vive em Nova Délhi há dois anos.

O governo da Índia reforçou a segurança para responder aos protestos dos dezenas de milhares de tibetanos que vivem no país. Antes de Yeshi atear fogo ao próprio corpo, cerca de 600 manifestantes marchavam contra a visita de Hu em um praça perto do Parlamento, carregando pôsteres que diziam "O Tibete não é parte da China" e "Hu, você não é bem-vindo".

Os organizadores da manifestação disseram não estar por trás do ato de autoimulação do tibetano.

"Não temos ideia de como isso foi acontecer, mas apreciamos sua coragem", disse Tenzing Norsanf, uma autoridade do Congresso da Juventude Tibetana.

Ele fez um apelo para que os cinco países que participarão da cúpula incluam a situação do Tibete na pauta de discussões.

"Se eles se importam com a paz, deveriam levantar essa questão", afirmou. "Hu Jintao é responsável pelo que está acontecendo aqui."

Cerca de 30 tibetanos atearam fogo contra si mesmos no ano passado, a maioria no sudoeste da China, em protesto contra o governo chinês e pedindo a volta do dalai lama ao Tibete. Pelo menos 20 morreram, segundo ativistas. O dalai lama, que fugiu do Tibet em meio à uma revolta de 1959, culpou a política da China pelas autoimulações.

O Tibete foi ocupado em 1950 pela China, que diz que a região é parte de seu território. Os tibetanos afirmam que a região do Himalaia é independente.

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Com AP

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