Tibet pode declarar independência, diz premiê no exílio

Por Abhishek Madhukar DHARAMSALA, Índia (Reuters) - Os tibetanos podem declarar independência em relação à China se os grupos de exilados, reunidos nesta semana na Índia, concluírem que não há outra opção, disse na terça-feira o chefe do governo tibetano no exílio.

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Frustrados com a falta de progressos nas discussões formais com Pequim, centenas de tibetanos estão reunidos em Dharamsala ("capital" do exílio tibetano, no norte da Índia). Alguns exigem que o tradicional "Caminho do Meio" (autonomia sob domínio chinês), defendido pelo líder espiritual Dalai Lama, seja substituído por uma luta pela independência total.

"Se a maioria das pessoas oferecer algum caminho diferente do atual, é claro que o seguiremos com prazer", disse a jornalistas Samdhong Rinpoche, primeiro-ministro tibetano no exílio.

"Se o Parlamento por maioria tomar a decisão de que devemos partir para a independência, então é claro que não há como escapar disso", acrescentou. "O Parlamento tem o poder da decisão final."

Alguns analistas vêem esta reunião como uma tentativa de convencer a China de que, se não houver concessões, elementos mais radicais podem surgir para enfrentar o regime de Pequim.

A China rejeitou neste mês reivindicações de autonomia repetidas em encontros de enviados do Dalai Lama com autoridades chinesas.

O líder tibetano, que fugiu para o exílio em 1959, após uma frustrada rebelião, recentemente sugeriu que sua defesa por um Tibet autônomo também fracassou, o que gerou especulações de que ele iria abandonar o dia-a-dia da liderança política.

Após ser hospitalizado em agosto devido a dores abdominais e de retirar cálculos biliares em outubro, o Dalai Lama não participa da reunião em Dharamsala.

Alguns ativistas tibetanos dizem que ele está preparando terreno para um possível sucessor.

Nas últimas discussões em Pequim, os tibetanos apresentaram um "memorando sobre a autonomia genuína", que salientava seu direito a criar um governo regional e a ter representação nas instâncias decisórias do governo chinês.

O memorando exigia também maior proteção à cultura e à identidade das minorias no Tibet, além da preservação do meio ambiente.

Autoridades chinesas dizem que nunca admitirão a independência ou semi-independência do Tibet. Pequim já reforçou a segurança na região, cenário de violentos distúrbios no primeiro semestre.

(Reportagem adicional de Benjamin Kang Lim em Pequim e Tenzin Pema em Dharamsala)

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