The Times confirma: Israel utiliza fósforo branco em Gaza

A utilização repetida por Israel de fósforo branco desde o início da ofensiva na Faixa de Gaza, em 27 de dezembro, foi confirmada nesta quinta-feira pelo jornal britânico The Times, que também publicou o desmentido de uma porta-voz militar israelense.

AFP |

O jornal disse ter identificado obuses com fósforo branco em fotos de imprensa mostrando estoques de munições do Exército de Israel, tiradas na semana passada na fronteira entre o Estado hebreu e a Faixa de Gaza. Nestes obuses, aparece a inscrição M825A1, que designa bombas com fósforo branco de fabricação americana.

O Exército israelense utiliza essas bombas para criar cortinas de fumaça durante os combates contra os ativistas palestinos, explicou o Times. O jornal também afirmou possuir provas de que civis palestinos foram feridos por essas bombas, que provocam graves ferimentos.

The Times citou vários membros dos serviços de saúde da Cidade de Gaza que disseram ter visto ou tratado pacientes supostamente vítimas dessas bombas.

No entanto, uma porta-voz do Exército israelense negou qualquer utilização desse tipo de munição. "Os obuses M825A1 estão vazios, não têm explosivos nem fósforo branco. Não há nada dentro deles. Atiramos com eles para marcar o alvo antes de disparar obuses reais. Não é para matar as pessoas", garantiu.

"Utilizamos o que é empregado por outros exércitos, e não recorremos a nenhuma arma proibida pelas leis internacionais", insistiu.

Entretanto, um especialista da revista britânica Jane's, que se dedica a questões de defesa, afirmou ao Times que os M825A1 são, sem sombra de dúvida, bombas de fósforo.

O fósforo branco é um agente tóxico, e a exposição a esta substância pode ser fatal. Ele pode provocar graves queimaduras e afetar o fígado, o coração ou os rins.

O protocolo III da Convenção de 1980 sobre as armas convencionais proíbe o uso deste agente contra as populações civis, ou contra as forças militares posicionadas no meio das populações civis.

O Exército de Israel admitiu ter utilizado esta arma contra "alvos militares" durante sua ofensiva no Líbano contra o Hezbollah, em meados de 2006.

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