Washington, 11 dez (EFE).- Os abusos contra presos em Abu Ghraib e Guantánamo foram responsabilidade do ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld e de outros altos funcionários do Governo George W.

Bush, segundo um relatório do Senado americano apresentado hoje.

O relatório elaborado pela Comissão das Forças Armadas do Senado afirma que a autorização para usar métodos de tortura durante os interrogatórios de presos proveio de Rumsfeld e outros funcionários e considerou que os mesmos não devem ser atribuídos a soldados ou interrogadores individuais.

"O abuso de detidos sob a custódia dos EUA não se pode atribuir simplesmente aos que atuavam por sua conta", diz o relatório divulgado pelos senadores Carl Levin, democrata, e John McCain, ex-candidato republicano à Presidência.

O documento assegura que "altos funcionários do Governo dos EUA solicitaram informação sobre como usar técnicas agressivas, redefiniram a lei para criar uma aparência de legalidade e utilizaram (essas técnicas) contra os detidos".

Segundo o texto, a CIA (agência de inteligência americana) tinha adotado algumas dessas técnicas, empregadas originalmente pelo regime comunista chinês durante a Guerra da Coréia para obter confissões falsas dos americanos capturados, em suas prisões secretas.

Os interrogadores as adaptaram para seu uso na prisão da base naval em Guantánamo e mais tarde se estenderam aos centros de prisioneiros no Afeganistão, incluindo a prisão de Abu Ghraib.

Até agora, a Casa Branca tinha assegurado que o uso dessas técnicas tinha partido de oficiais intermédios na cadeia de comando, que se queixavam de que os métodos tradicionais não rendiam resultados sobre detidos treinados para resistir aos interrogatórios.

No entanto, os legisladores, que demoraram 18 meses para redigir seu relatório, consideram que a origem do uso desses métodos é um memorando assinado por Bush em 7 de fevereiro de 2002 que declara que as Convenções de Genebra não protegem os detidos suspeitos de ser membros da rede terrorista Al Qaeda ou do movimento talibã.

"É particularmente preocupante que altos funcionários aprovassem o uso de técnicas de interrogação (...) modeladas em parte segundo as táticas dos chineses comunistas para conseguir confissões falsas de militares americanos", detalha o relatório.

O documento critica igualmente o então chefe do Estado-Maior dos EUA, o general Richard Myers, que optou por reduzir uma revisão legal e política dos métodos de interrogação utilizados. EFE mv/rr

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