Testes iniciais indicam que brotos não seriam causa de E. coli

Fazenda havia sido apontada como provável causa de surto que matou 22; autoridades dizem que mais testes são necessários

iG São Paulo |

Autoridades alemãs disseram nesta segunda-feira que testes iniciais em brotos vegetais de uma fazenda orgânica no norte do país mostram que eles não são a causa do surto de uma variante altamente tóxica E. coli, que deixou 22 mortos e mais de 2,3 mil doentes na Europa.

O Ministério da Agricultura da Baixa Saxônia disse que 23 de 40 amostras da fazenda de broto de feijão suspeito de estar por trás do surto testaram negativo para a bactéria. Segundo o órgão, faltam realizar mais testes.

AP
Fazenda no distrito de Ulzen, no norte da Alemanha, é considerada a provável origem da bactéria que já matou mais de 20 na Europa

A fazenda havia sido apontada como a mais provável origem do surto de infecções. Ela produz brotos de feijão, lentinha, ervilha e outras leguminosas e fica em Ulzen, cerca de 100 km ao sul de Hamburgo, o epicentro do surto. O local foi fechado e todos os seus produtos recolhidos. A fazenda vendia seus produtos para restaurantes e mercados em Hamburgo e outras cidades.

Apesar dos testes negativos iniciais, a ministra de Agricultura e Defesa do Consumidor alemã, Ilse Aigner, disse que continua vigente a recomendação de não consumir brotos de vegetais, além de tomates, pepinos e alfaces. Inicialmente, o governo alemão havia apontado pepinos produzidos na Espanha como sendo a provável causa da contaminação pelo E.coli.

Ministros da Saúde dos países da União Europeia (UE) se reúnem nesta segunda-feira em Luxemburgo para discutir o surto. Ao chegar ao local do encontro em Bruxelas, o comissário de Saúde e Consumo europeu, John Dalli, ressaltou nesta segunda-feira a necessidade de detectar o mais rápido possível a origem do surto da E. coli para evitar que volte a ser registrado no bloco europeu.

Gado e ovelhas

A bactéria já matou 22 pessoas, 21 na Alemanha e uma na Suécia, e infectou mais de 2,3 mil na Alemanha e outros 12 países. A maioria dos afetados pelo surto está na Alemanha, com casos concentrados na cidade de Hamburgo.

O ministro federal da Saúde, Daniel Bahr, informou que os hospitais do norte da Alemanha estão superlotados por causa do surto, mas os funcionários estão fazendo "todo o que for necessário" para ajudar os pacientes.

A E. coli, que costuma habitar as entranhas de gado e ovelhas, em geral é inofensiva à saúde. Mas a variedade que está atacando a Europa, causa diarreia, cólicas estomacais severas e febre. Ela se prende às paredes do intestino, onde libera toxinas.

A maioria das vítimas se recupera após alguns dias de tratamento, mas um pequeno número de pacientes desenvolve uma síndrome potencialmente fatal, que ataca os sistemas renal e nervoso. Cientistas afirmaram que a nova variante da E.coli é um híbrido agressivo, tóxico para humanos e que não estava ligado anteriormente à intoxicações alimentares.

A Espanha é o país mais afetado economicamente pelo episódio, com grande perdas registradas por produtores locais de pepino e outros legumes e verduras. O premiê José Luis Rodríguez Zapatero disse que seu país exigirá reparações pelas perdas sofridas.

*Com AP, EFE e BBC

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