O governo dos Estados Unidos classificou os testes de mísseis de médio alcance Shahab-3 e de foguetes Sajjil anunciados pelo regime iraniano nesta segunda-feira como atos de provocação.


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Acredita-se que os mísseis testados pelo Irã nesta segunda tenham alcance de cerca de 2 mil quilômetros, podendo atingir, em tese, Israel e bases americanas no Oriente Médio. Parte da Turquia também estaria ao alcance dos projéteis.

"Obviamente, estes foram exercícios militares planejados com antecedência", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, em uma entrevista coletiva nesta segunda-feira. "Eu agruparia (estes testes) na mesma natureza provocativa com que o Irã tem agido no palco internacional nos últimos anos" afirmou o Gibbs.

Os novos testes ocorrem apenas alguns dias depois de o governo iraniano ter revelado que possui uma segunda usina de enriquecimento de urânio e pouco antes de uma nova rodada de negociações entre o país e os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha, marcada para acontecer em Genebra na próxima quinta-feira.

Quando perguntado sobre o que Washington espera dessas negociações, Gibbs afirmou que o governo americano espera que o Irã concorde com o "acesso imediato e irrestrito" da comunidade internacional às suas instalações nucleares.

Preocupação

Outros governos ocidentais também protestaram contra os novos testes de mísseis iranianos nesta segunda-feira. A França também classificou os lançamentos como "provocações" e pediu que Teerã interrompa imediatamente "estas atividades profundamente desestabilizadoras".

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, David Miliband, por sua vez, afirmou que os testes são "condenáveis", mas declarou que eles não devem fazer com que a comunidade internacional se "distraia" das negociações de quinta-feira.

O chefe da política externa da União Europeia, Javier Solana, afirmou que os testes desta segunda-feira produziram um "novo contexto" para as negociações, mas afirmou que este não é o momento para se discutir novas sanções contra o país.

A Rússia também classificou os testes como "preocupantes", mas pediu "moderação" à comunidade internacional. "Esta não é a hora de sucumbir às emoções. É necessário ter calma e, acima de tudo, iniciar um processo efetivo de negociações", disse o chanceler russo Sergei Lavrov.

Exercícios

Em uma declaração nesta segunda-feira, Hassan Qashqavi, porta-voz Ministério da Defesa do Irã, afirmou que os testes fazem parte de um exercício militar anual, e que eles não são uma reação às críticas da comunidade internacional a respeito da segunda usina de enriquecimento de urânio.

O Shahab-3 é considerado um projétil de alcance médio, mas é o míssil de maior alcance já testado publicamente pelo governo do Irã.

Já o foguete Sajjil é um projétil de dois estágios que usa combustível sólido, o que faz com que ele seja mais preciso que mísseis movidos a combustível líquido. Ele já havia sido testado pelo Irã em novembro de 2008 e maio de 2009.

Segundo o correspondente da BBC em Teerã, Jon Leyne, os inimigos do Irã devem estar mais preocupados com os mísseis Sajjil, que são mais avançados e, por terem múltiplos estágios, têm potencial de ter alcance maior. No domingo, o Irã já havia lançado dois mísseis de curto e médio alcance.

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