Testes de DNA confirmam que Fritzl é o pai dos seis filhos da própria filha

Jordi Kuhs Amstetten (Áustria), 29 abr (EFE).- Testes de DNA confirmaram que o técnico eletricista aposentado Josef Fritzl é o pai dos seis filhos nascidos após os abusos sexuais contra Elisabeth, sua própria filha, durante quase 24 anos.

EFE |

A Polícia austríaca pode dar por concluída a investigação dos principais pontos deste caso, que ficou marcado como um dos crimes mais macabros da história do país.

"Os seis filhos de Elisabeth Fritzl, nascidos em cativeiro (um sétimo morreu logo após o nascimento), têm como pai o próprio Josef Fritzl", disse em entrevista coletiva Franz Polzer, responsável do Escritório Regional contra o Crime da Baixa Áustria.

Segundo Polzer, as provas determinaram que uma recente carta, supostamente enviada por Elisabeth, na qual anuncia seu iminente retorno à família junto com dois de seus filhos, o de cinco e o de 18 anos, foi escrita pelo próprio Fritzl.

"Com isto, temos uma prova física dos crimes cometidos por Fritzl nos últimos 24 anos", afirmou Polzer.

As autoridades acreditam que todas as cartas enviadas quando os filhos de Elisabeth foram deixados na porta da casa também foram escritas por Fritzl.

Três crianças apareceram diante da casa da família em 1993, 1994 e 1997. Segundo a versão de Fritzl, elas foram abandonadas por Elisabeth, hoje com 42 anos, que teria fugido para entrar em uma seita religiosa, quando na verdade estava aprisionada no porão da casa.

Em 1997, aliás, Elisabeth deu à luz gêmeos, dos quais um morreu três dias após o nascimento. Josef incinerou o cadáver na caldeira de calefação de casa.

O porta-voz da promotoria da Baixa Áustria, Gerhard Sedlacek, anunciou que o acusado foi colocado hoje à disposição de uma juíza, mas que, por orientação de seu advogado, preferiu não falar.

Sedlacek diz que a juíza decretou a prisão preventiva, que segundo a legislação austríaca, será de um período inicial de 14 dias.

O porta-voz acrescentou que, apenas em caso de ser declarado culpado por homicídio por omissão de socorro no caso da morte de um dos bebês, Fritzl pode ser condenado à prisão perpétua.

Pelos repetidos abusos contra a filha, a lei austríaca prevê pena máxima de 15 anos de prisão, mas após o cumprimento da sentença, as autoridades podem declarar Fritzl "insano, anormal e perigoso", e ele seria internado em um centro psiquiátrico pelo resto da vida, acrescentou Sedlacek.

Todos os parentes de Fritzl, com exceção da filha e neta Kerstin, estão passando por um tratamento em um centro para cuidados especiais de Amstetten-Mauer, onde uma grande equipe de psicólogos, psicoterapeutas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e neurologistas está cuidando deles.

"O estado físico das vítimas, particularmente as que ficaram enclausuradas, é relativamente bom, mas continuam sob observação. A proteção deles é prioridade", disse Berthold Kepplinger, responsável pelo tratamento da família.

Já o chefe do hospital de Amstetten, Albert Reiter, informou que Kerstin, de 19 anos, ainda está internada em estado grave.

"Ela continua em coma induzido e não temos previsão. Porém, registramos uma leve melhora", declarou Reiter.

Kerstin, que passou toda a vida em cativeiro, foi internada em 19 de abril com uma grave doença, fato que permitiu às autoridades esclarecer este horrível caso, que causou comoção mundial. EFE jk/wr/plc

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