Testes da Alemanha voltam a apontar brotos como causa da E. coli

Instituições sanitárias dizem que padrão do surto bacteriano produziu evidências suficientes para responsabilizar esses vegetais

iG São Paulo |

Novos dados indicam que o broto de feijão é a provável fonte do surto de E.coli que contaminou quase 3 mil e deixou 30 mortos - 29 na Alemanha e um na Suécia -, disseram autoridades de segurança do país nesta sexta-feira. O anúncio foi feito depois de os investigadores terem rastreado a bactéria a partir de pacientes internados e terem feito o caminho reverso em direção a restaurantes e campos de cultivo.

AP
Fazenda no distrito de Ulzen, no norte da Alemanha, foi investigada por surto da bactéria E. coli (06/06)
Reinhard Burger, presidente do Instituto Robert Koch, centro nacional de controle de doenças da Alemanha, disse que o padrão do surto produziu evidências suficientes para levar a essa conclusão, apesar de nenhum dos testes em brotos vegetais de uma fazenda orgânica da Baixa Saxônia , no norte da Alemanha, ter dado positivo para a cepa da E. coli responsável pela infecção.

"São os brotos de feijão", disse Burger. Esses vegetais são muito consumidos na Alemanha, onde são servidos na maioria dos bufês de salada e, frequentemente, nos sanduíches.

Muitos dos quase 3 mil que ficaram doentes até agora com sintomas iniciais de infecção estomacal enfrentam incertezas sobre a possibilidade de desenvolver a ssíndrome hemolítico-urêmica (SHU), que destrói glóbulos vermelhos do sangue e provoca graves problemas nos rins.

"É uma grande satisfação apresentar a descoberta hoje, e conseguir isolar a causa e a origem da infecção", afirmou Burger. "É o resultado da cooperação intensa entre a Alemanha e as autoridades alimentares."

"Pessoas que consumiram brotos (de feijão) tinham nove vezes mais probabilidade de ter diarreia hemorrágica do que aqueles que não (consumiram o vegetal)", disse. "O surto ainda não terminou."

O anúncio foi feito durante coletiva que reuniu as três instituições sanitárias federais que se ocupam da crise: o Instituto Robert Koch, o Birô Federal para a Proteção dos Consumidores e a Segurança Alimentar, e o Instituto Federal de Avaliação de Riscos.

As três instituições anunciaram oficialmente a suspensão do alerta decretado no final de maio contra o consumo de pepinos, tomates e alface , que custou milhões de euros aos agricultores europeus. "Nossos três institutos estão de acordo que não há motivo para manter essas recomendações", afirmou um dos dirigentes.

Além disso, aparentemente a fonte da infecção não está ativa e as cifras de novos doentes estão baixando. "Não há nenhuma outra pista além dos brotos", disse Burger, respondendo à pergunta se as autoridades estavam 100% certas de que não há outra fonte de contágio.

Rússia vs. União Europeia

O chefe do Serviço Sanitário da Rússia, Gennady Onishchenko, anunciou nesta sexta-feira que seu país suspenderá o veto às importações de verduras procedentes da Europa em troca de garantias da União Europeia (UE) sobre cada país e produto.

"As posições se aproximaram significativamente. A Comissão Europeia propôs desenvolver esse trabalho não em nível nacional, como é feito agora, mas em nível da comissão, que dará garantias sobre cada país e cada tipo de produto", disse Onishchenko.

A autoridade indicou que as primeiras provisões serão autorizadas assim que houver um acordo sobre quais documentos garantirão a segurança dos produtos. As declarações de Onishchenko, membro da delegação russa na cúpula Rússia-UE, representam uma suavização da postura de Moscou na "guerra das verduras".

A UE solicitou a suspensão do veto russo por considerá-lo uma medida "desproporcional" à emergência sanitária causada por uma cepa agressiva da bactéria "E. coli".

*Com AP, Reuters, EFE e AFP

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