Buenos Aires, 1 mai (EFE) - O dirigente humanitário argentino Juan Puthod, testemunha de crimes da última ditadura militar do país (1976-1983), afirmou hoje que foi encapuzado, agredido e ameaçado durante o seqüestro relâmpago de aproximadamente 24 horas do qual foi vítima. Puthod, que foi libertado quarta-feira à noite, atribuiu seu seqüestro a um grupo de tarefas; os famosos grupos da mão-de-obra desocupada, supostamente ligados à ditadura, deixou entrever. Isto não vai me abalar. Vamos seguir levantando a bandeira e vamos seguir recuperando nossa história.

Não nos venceram", disse hoje durante uma entrevista coletiva, depois de receber alta de um hospital, para onde tinha sido levado após sua libertação.

O dirigente, de 49 anos, foi encontrado à noite a algumas ruas de distância de sua casa da cidade de Zárate, cerca de 190 quilômetros da capital argentina, após permanecer mais de 24 horas desaparecido e depois de uma intensa busca que mobilizou centenas de policiais.

"Duas pessoas me seqüestraram e disseram que não tinha entendido as mensagens que tinham me enviado", relatou Puthod, que explicou que tinha recebido ameaças antes de seu rapto, que aconteceu na noite de terça, quando ia à Casa da Memória de Zárate, a qual preside.

O desaparecimento deste dirigente tinha causado bastante alarme, já que até agora não há resultados na busca por Jorge López, testemunha de acusação em um julgamento por crime de lesa-humanidade cometido durante o regime militar e cujo paradeiro é desconhecido desde 2006.

O ativista também agradeceu às gestões do governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, que havia ido a Zárate para acompanhar de perto a operação de busca de Puthod, que desapareceu quando organizava uma homenagem a duas vítimas da ditadura.

Uma das causas judiciais nas quais Puthod é testemunha está relacionada com a descoberta de restos de pessoas desaparecidas pela ação de grupos paramilitares na cidade de La Plata, capital da província de Buenos Aires.

O presidente da Casa da Memória de Zárate foi seqüestrado por paramilitares em 1977, aos 17 anos, e ficou mais de cinco anos detido ilegalmente em distintas prisões, a última delas em La Plata, a 60 quilômetros da capital argentina. EFE ms/db

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