Teste de míssil do Irã põe EUA em alerta sobre O.Médio

María Peña. Washington, 20 mai (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, advertiu hoje sobre a possibilidade de uma corrida armamentista no Oriente Médio caso o Irã consiga armas nucleares, enquanto foi confirmado que Teerã testou um míssil balístico.

EFE |

A chefe da diplomacia americana participou de duas audiências do Senado para explicar o alcance do orçamento do Departamento de Estado, de cerca de US$ 50 bilhões para o ano fiscal 2010.

Porém, foi o assunto Irã que dominou as discussões entre Hillary e os senadores.

Na audiência perante uma subcomissão do Senado, Hillary disse que caso se permita que o Irã desenvolva uma real capacidade de desenvolver armas nucleares, seria desencadeada uma "ameaça extraordinária".

Porém, a chanceler esclareceu que o Governo dos EUA continuará os esforços diplomáticos para impedir que o Irã prossiga com os planos a respeito.

Para Hillary, diante das eleições do próximo dia 12 de junho no Irã, provavelmente as pressões dos EUA e da comunidade internacional serão ignoradas.

Em outra audiência, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, confirmou que o Irã fez um teste com um míssil de alcance de entre 2 mil e 2.500 quilômetros. Porém, não detalhou se o projétil atingiu o alvo.

A resposta dos EUA foi previsível: o Irã tem o desafio de escolher entre continuar desestabilizando o Oriente Médio ou iniciar diálogo com Washington.

Para os EUA, o Irã representa um grande obstáculo para o processo de paz no Oriente Médio e o Governo Barack Obama enfrenta pressões de Israel para evitar que esse país continue o programa nuclear.

O Governo de Teerã argumenta que seu programa tem fins pacíficos, e insiste na eliminação de Israel. Isso, aos olhos dos EUA, só entorpece ainda mais qualquer esforço de pacificação no Oriente Médio.

Alguns observadores consideram que o lançamento do míssil balístico, realizado após o encontro entre Obama e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu na segunda-feira passada, é mais do que tudo para consumo interno, no momento em que o presidente iraniano disputa o poder com forças moderadas pró-ocidentais.

Dois dos três candidatos aprovados para as eleições do próximo dia 12 de junho no Irã são reformistas que se inclinam por melhorar as relações com o Ocidente.

O Governo Barack Obama expressou sua vontade de dialogar com Teerã, mas também deixou claro que o regime iraniano tem que abandonar as ambições nucleares e arriscar um maior isolamento diplomático e possíveis sanções.

Há dois dias, Obama deixou entrever que os EUA promoverão maiores sanções internacionais contra o Governo de Teerã caso, até o fim do ano, continue se opondo ao início de um diálogo sobre o programa nuclear.

Hillary também reiterou hoje o compromisso de Obama com uma solução que permita a coexistência pacífica de um Estado palestino com o israelense.

Obama deve viajar ao Oriente Médio no início de junho e fará, no Cairo, seu primeiro discurso dirigido ao mundo muçulmano, enquanto seu Governo continua administrando um acordo de paz para resolver a prolongado conflito entre israelenses e palestinos.

Sobre a solicitação orçamentária do Departamento de Estado para o ano fiscal que começa em outubro próximo, Hillary disse que reflete um aumento de 7% em relação ao ano fiscal em curso, mas é, segundo ela, um investimento necessário apesar da recessão econômica.

"É um indício do papel-chave que o Departamento de Estado e a agência americana para o desenvolvimento internacional (Usaid) tem para ajudar a promover os interesses de nossa nação", justificou.

Na audiência, Hillary destacou o desejo dos EUA de "revitalizar as alianças históricas" com Europa e América Latina, África e Ásia, fazendo insistência nas relações bilaterais com países líderes emergentes, como o Brasil. EFE mp/rr

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