Tesouro espera recuperação do consumo com mudanças em plano de resgate

Nova York, 25 nov (EFE).- O secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, disse hoje que as novidades no plano de resgate financeiro ajudarão a começar a reativar o consumo e que os cidadãos tenham mais facilidade de alcançar crédito, o que considerou vital para a economia do país.

EFE |

"A falta de créditos acessíveis envolve o gasto dos consumidores e enfraquece a economia" dos Estados Unidos, declarou Paulson durante uma entrevista coletiva em Nova York na qual reconheceu que "os mercados financeiros não estão funcionando como deveriam".

Paulson afirmou que para abordar este problema o Federal Reserve (Fed, banco central americano) e o Departamento do Tesouro iniciam um programa de US$ 200 bilhões para apoiar os créditos dos consumidores e das pequenas empresas, e assim descongelar o mercado de crédito.

Este plano será apoiado por uma proteção de crédito de US$ 20 bilhões procedentes da iniciativa de resgate financeiro no valor de US$ 700 bilhões, que já foi aprovado em outubro.

Além disso, o Fed decidiu usar até US$ 600 bilhões para a compra de ativos apoiados por hipotecas para aliviar a situação crítica.

Sobre este ponto, o secretário do Tesouro explicou que isto demonstra o apoio das autoridades americanas ao mercado da habitação.

"Nada é mais importante que conseguir, mediante esta correção do setor da habitação, que se possa conseguir um financiamento hipotecário acessível", declarou Paulson, que também afirmou que "a raiz do problema econômico do país foi a correção (no setor) da habitação".

Acrescentou que "o melhor que se pode fazer" neste momento a este respeito é "ter financiamento hipotecária disponível e com taxas que continuem caindo".

Paulson afirmou que alguns mercados fundamentais para os consumidores como os de cartão de crédito, os de empréstimos para compra de carros ou para o pagamento dos estudos ficaram praticamente paralisados em outubro.

Pouco antes de o secretário do Tesouro americano realizar este anúncio em Nova York, o Departamento de Comércio informou em Washington que a despesa dos consumidores teve no terceiro trimestre sua maior redução em 28 anos, enquanto o crescimento econômico do país diminuiu 0,5% no mesmo período.

No entanto, a confiança dos americanos na economia melhorou em novembro de forma moderada, após cair em outubro para os níveis mais baixos registrados até agora, segundo informações divulgadas hoje pelo instituto The Conference Board.

O índice de confiança que elabora esta entidade privada de análise econômica ficou em 44,9 pontos, em comparação aos 38,8 pontos de outubro.

"Ao proporcionar liquidez para aqueles que concedem créditos ao consumo, se permitirá que mais instituições aumentem seus empréstimos e que os consumidores e pequenas empresas alcancem financiamento de custo mais baixo", declarou Paulson.

Ele acrescentou que durante estas turbulências dos mercados financeiros, o objetivo do Governo dos EUA "foi estabilizar o sistema e apoiar a capacidade de crédito, que é vital para nossa economia".

O secretário do Tesouro defendeu que com base neste objetivo as autoridades americanas adotaram medidas "para reforçar o capital das instituições financeiras, estabilizar o sistema e aumentar os créditos para os consumidores e as empresas" deste país.

Com relação às perspectivas de superar as dificuldades que prejudicam a economia e os mercados americanos, disse que "tomará tempo" e admitiu que "novos desafios surgirão".

O Governo dos EUA "está comprometido a usar todos os instrumentos a sua disposição para preservar as instituições financeiras e estabilizar os mercados para minimizar o contágio para o resto da economia", declarou.

Paulson também afirmou que a Administração trabalhará até o último momento com o gabinete de transição do presidente eleito Barack Obama, que designou o atual presidente do Fed de Nova York, Timothy Geithner, como seu secretário do Tesouro.

"Nisto estamos trabalhando como uma equipe, com Ben Bernanke (presidente do Fed Reserva) e Sheila Bair (presidente da Corporação Federal de Seguros de Depósitos)", disse Paulson, que considerou que seu sucessor "está muito bem posicionado para entender tudo o que foi iniciado e realizá-lo de maneira efetiva". EFE emm/fal

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