Terrorista preso em Mumbai diz que é paquistanês durante julgamento

Nova Délhi, 23 mar (EFE).- O julgamento pelos ataques terroristas de novembro de 2008 na cidade indiana de Mumbai começou hoje em uma corte especial, perante a qual o único terrorista capturado vivo se identificou como paquistanês antes de aceitar o suporte de um defensor público.

EFE |

O acusado, Mohammed Ahmal Amir, conhecido como "Kasab", e que não contou com assistência legal desde sua detenção, confirmou ao juiz especial M.L. Tahilyani ter recebido uma cópia da acusação contra ele, formulada em um documento de mais de dez mil páginas.

Kasab está sendo acusado de assassinato, tentativa de homicídio, guerra contra a Índia e diversos outros crimes.

A breve sessão de hoje ocorreu por videoconferência, já que ainda não há uma sala preparada para receber o julgamento dentro da prisão Arthur Road, em Mumbai, onde Kasab se encontra.

De acordo com a agência "IANS", o promotor especial para o caso, Ujwal Nikam, pediu ao juiz que adie a vista do processo até o dia 13 de abril, data em que a construção da corte especial dentro da prisão deve estar concluída.

Também compareceram hoje perante o magistrado os outros dois detidos pelo atentado, os indianos Fahim Ansari e Sabahuddin Ahmed, os quais supostamente deram apoio logístico ao grupo que atacou a cidade portuária indiana.

Fahim pediu ao juiz permissão para mudar de advogado, o qual compartilha com Ahmed, motivo pelo qual a decisão ficou pendente de futuras consultas entre os dois acusados.

Amir, Ansari e Ahmed são os únicos detidos na Índia pelo atentado na cidade de Mumbai que causou a morte de 179 pessoas entre os dias 26 e 29 de novembro de 2008.

Durante esses três dias, um grupo de dez terroristas atacou dois hotéis, uma estação de trem, restaurantes, um centro de estudos judeus e outros alvos da capital financeira indiana.

A Polícia indiana acusou o grupo caxemiriano com base no Paquistão Lashkar-e-Toiba (LeT) como autor do atentado.

Na folha de acusações que a Polícia entregou a um tribunal de Mumbai no dia 25 de fevereiro existem 47 acusados, o que inclui os nove terroristas mortos em confronto com as forças de segurança durante o ataque e 35 "foragidos" paquistaneses.

Segundo os investigadores indianos, são membros do LeT ou pessoas "que apoiam seus objetivos" de anexação da Caxemira indiana ao Paquistão e que supostamente ajudaram a organizar o atentado dando treino e apoio logístico ao comando terrorista.

Os investigadores asseguraram ter provas de que o grupo que atacou Mumbai foi treinado no Paquistão, embora tenham admitido não haver envolvimento da agência de serviços secretos paquistaneses ISI - algo que a Índia denunciou então.

Em uma audiência preliminar do caso perante uma corte ordinária de Mumbai, realizada no último dia 9, o juiz encarregado desprezou o pedido dos três detidos para receberem cópias da acusação em urdu, a língua do Paquistão e dos muçulmanos da Índia, antes de encaminhar o caso ao tribunal especial liderado por Tahilyani.

O Paquistão também conduz investigações próprias sobre o atentado em Mumbai as quais já levaram à detenção de oito pessoas, entre elas o suposto "cérebro" da operação e comandante do LeT Zakiur Rehman Lakhvi, um dos 35 "foragidos" da lista indiana.

O ataque a Mumbai abriu uma grave crise nas relações entre as duas potências nucleares do Sul da Ásia, que travaram três guerras desde a independência de ambas em 1947, sendo duas delas pelo controle da Caxemira. EFE ja/bba

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