Terrorista do ataque a Mumbai é condenado à morte

Paquistanês de 22 anos chora ao saber da senteça, segundo testemunhas

AFP |

Um tribunal especial de Mumbai sentenciou nesta quinta-feira à pena de morte o paquistanês Mohammed Ajmal Amir, conhecido como Kasab, por sua participação no ataque terrorista à capital financeira da Índia de novembro de 2008.

No último dia 3, Kasab tinha sido declarado culpado de 80 acusações , entre estas as de assassinato, conspiração criminosa, execução de ato terrorista e ato de guerra contra a Índia.

AP
"Kasab" foi o único terrorista preso durante os ataques em Mumbai, em 2008

Por estas quatro acusações, o paquistanês foi sentenciado à forca pelo juiz especial M.L. Tahilyani, quem considerou que esta sentença era inevitável levando em conta os muitos agravantes que concorriam em seus crimes, explicou às portas do tribunal o promotor do caso, Ujjwal Nikam.

Ao todo, 166 pessoas morreram nos três dias de ataque comandado por dez terroristas à cidade portuária de Mumbai, entre os dias 26 e 29 de novembro de 2008.

Segundo o relato de um jornalista da rede "NDTV", o condenado começou a chorar ao saber sua pena, uma atitude que contrastou com a indiferença com a qual escutou a condenação no último dia 3 e durante todo o processo.

O juiz destacou a "depravação excepcional" demonstrada por Kasab, que disparou indiscriminadamente contra suas vítimas, incluindo crianças e mulheres. Por isso, o juiz considerou que a pena de morte "está adequada aos crimes cometidos".

A "brutalidade" do ataque "não se pode expressar com palavras", acrescentou segundo "NDTV" o magistrado, para quem Kasab perdeu todo direito a qualquer "tratamento humanitário" ou "benevolência" por parte da Justiça indiana. O promotor saiu da corte fazendo o sinal da vitória.

Separatistas da Caxemira

O tribunal considerou provado que o ataque a Mumbai foi planejado e executado por membros do grupo separatista da Caxemira com base no Paquistão Lashkar-e-Toiba (LeT).

O juiz rejeitou a argumentação da defesa de Kasab no sentido de que o terrorista tinha sido doutrinado religiosamente, e opinou que ele se uniu ao LeT voluntariamente.

Em uma primeira reação do governo, o ministro de Exteriores, S.M. Krishna, disse que a sentença é a "mais apropriada" ao caso. Krishna considerou que à luz desta sentença e das investigações que seguem em andamento sobre o caso, Paquistão deveria responder ao pedido indiano de extradição dos "conspiradores" do atentado.

Junto ao julgamento na Índia, que resultou na condenação de Kasab e a absolvição de dois indianos acusados de dar apoio logístico ao comando, sete pessoas foram processadas no Paquistão em novembro do ano passado, entre elas o comandante do LeT e suposto mentor do ataque, Zakiur Rehman Lakhvi.

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