Terrorista de Mumbai pede para ser enforcado

Nova Délhi, 22 jul (EFE).- O paquistanês Mohammed Ajmal Amir, conhecido como Kasab e capturado durante o ataque terrorista à cidade indiana de Mumbai em novembro de 2008, pediu hoje ao tribunal especial que tramita o caso que o enforquem, e a Promotoria o acusou de tentar proteger os cérebros do ataque com seu testemunho.

EFE |

"Não quero castigo divino. Enforquem-me, por favor, pelos meus crimes", disse Kasab, durante a audiência de hoje, segundo a agência de notícias "Ians".

Na segunda-feira passada, Kasab se declarou culpado dos fatos perante o juiz, ao qual fez um relato do massacre de Mumbai muito semelhante à versão oficial indiana, inclusive citando os organizadores do atentado.

Mas, na opinião da Promotoria, Kasab só deu os nomes que a Justiça indiana já conhecia - exceto um indiano que supostamente teria ensinado híndi ao comando que atacou Mumbai - e tenta encobrir outros responsáveis do massacre.

O promotor do caso, Ujwal Nikam, insistiu à imprensa na saída do tribunal em que o acusado não fez nenhuma revelação sobre o ataque, por isso poderia estar tentando proteger alguns de seus chefes e mostrar que ele é um simples "peão".

"Não está dizendo toda a verdade. Minimizou inteligentemente seu papel (no ataque) para que o castigo seja menor ou salvar" seus chefes, argumentou o promotor, segundo a agência "PTI".

O fiscal acrescentou que o advogado de Kasab alegou que seu defendido foi "mentalmente torturado" para revelar dados, algo que o próprio acusado negou perante o juiz.

Segundo o testemunho de Kasab sobre o ataque, contido em um documento ao qual a "PTI" teve acesso, o acusado admitiu fazer parte do comando terrorista de dez membros que atacou o sul de Mumbai, mas insistiu em responsabilizar seus companheiros por muitas das atrocidades.

Negou, entre outros, ter disparado contra a Polícia fora do hospital Cama - um dos alvos atacados - ou de ter matado o pescador de uma das embarcações com as quais os terroristas chegaram à costa de Mumbai.

Na segunda-feira, Kasab também ofereceu à corte especial os nomes de quatro organizadores do atentado, entre eles o de Zakiur Rehman Lakhvi, comandante do grupo caxemiriano Lashkar-e-Toiba (LeT), considerado desde o início pela Índia como o cérebro do massacre.

Apenas outros dois indianos - Fahim Ansari e Sabahuddin Ahmed, que supostamente deram apoio logístico ao comando terrorista - foram detidos pelo atentado de 2008 no gigante asiático, mas o Paquistão realiza uma investigação paralela que gerou mais detenções em seu território.

Segundo o tribunal indiano que dirime o caso, o ataque contra hotéis de luxo, restaurantes, um hospital e um centro de estudos judaico em Mumbai matou 166 pessoas.

A forca é o método de aplicação da pena de morte na Índia. EFE amp/an

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