Terrorismo mundial diminuiu em 2007, afirmam especialistas

Nações Unidas, 21 mai (EFE) - O terrorismo global diminuiu no ano passado, contrariando o consenso estabelecido pelos Estados Unidos de que esse tipo de ação violenta aumentou, afirmam especialistas da universidade Simon Fraser do Canadá em seu Relatório sobre a Segurança Humana em 2007.

EFE |

"As vítimas do terrorismo diminuíram em 40%, enquanto o apoio popular à rede Al Qaeda entre os muçulmanos desabou", explicou hoje o diretor do projeto, Andrew Mack, durante uma entrevista coletiva na sede das Nações Unidas.

Ele afirmou também que houve uma "extraordinariamente positiva, mas desconhecida" mudança no panorama da segurança nacional na África Subsaariana, onde "os conflitos armados se reduziram à metade entre 1999 e 2006 e as vítimas em combate caíram 98%".

O documento indica que desde 11 de setembro de 2001, quando terroristas da Al Qaeda jogaram quatro aviões comerciais nos EUA, há um consenso entre os especialistas ocidentais, baseado nas análises da inteligência americana, que indica que a ameaça terrorista, e particularmente a islâmica, tinha crescido consideravelmente.

O relatório analisa os resultados dos estudos dos três centros de investigação terrorista mais importantes dos Estados Unidos: o Centro Nacional Antiterrorista (NCTC), o Instituto Memorial para a Prevenção do Terrorismo (MIPT) e o Consórcio Nacional para o Estudo e as Respostas ao Terrorismo (Start).

"Os três organismos estimaram que as mortes por terrorismo global subiram dramaticamente desde a ocupação do Iraque, mas nosso relatório oferece uma interpretação diferente", afirma Mack.

O professor considerou que "os dados fornecidos por estes organismos são errados, pois em sua definição de terrorismo incluem os civis mortos na guerra civil iraquiana, mas não contam os assassinados no Sudão como crimes de guerra".

O estudo ressalta que a diminuição do apoio popular às redes de terrorismo islâmico distribuídas pelo mundo se explica pela rejeição crescente da população a sua ideologia extremista e suas ações repressivas contra os mesmos muçulmanos, além de "pelas continuadas derrotas sofridas durante 2007" por esses grupos de milicianos.

Uma das principais conclusões do relatório é que a redução desse apoio foi fundamental para o retrocesso da violência, porque gerou divisões internas que enfraqueceram a ação destes grupos e favoreceram a cooperação dos indivíduos na luta contra o terrorismo em seus países.

"A importância desta mudança na tendência mundial não pode ser subestimada, porque as campanhas terroristas que perdem o apoio da população de forma tão rápida serão derrotadas cedo ou tarde", afirmou o investigador.

O relatório também indica que mais da metade dos conflitos armados iniciados a partir de 2001 na África Subsaariana terminaram, o que evidência que as missões lideradas pela ONU para manter a paz internacional "sejam efetivas não só para deter as guerras, mas também para prevenir que sejam retomadas".

A investigação, respaldada por Canadá, Noruega, Suíça, Suécia e Reino Unido, sugere que estas mudanças no panorama de segurança mundial, que refletem uma tendência de contínua queda da violência internacional, são motivo de um "otimismo prudente".

"No entanto", finaliza o documento, "com mais de 50 conflitos armados ativos no mundo atualmente, não se pode cair na complacência" sobre este assunto. EFE atc/db

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