Terrorismo e Coreia do Norte marcam fórum asiático de segurança

Miguel F. Rovira.

EFE |

Phuket (Tailândia), 23 jul (EFE).- Os chefes da diplomacia de 27 membros do fórum asiático de segurança, incluindo Estados Unidos e União Europeia (UE), condenaram hoje os planos nucleares da Coreia do Norte e os recentes ataques terroristas na Indonésia, e pressionaram Mianmar (antiga Birmânia) a realizar reformas democráticas.

Durante a reunião realizada na ilha tailandesa de Phuket, em meio à mobilização de cerca de 10 mil policiais e soldados, Estados Unidos, Japão, e Coreia do Sul lideraram a frente diplomática contra a Coreia do Norte.

"O Japão é um alvo fácil, a comunidade internacional deve entender que nos sentimos ameaçados pela Coreia do Norte, por isso queremos que, no comunicado conjunto, haja uma condenação em duros termos", disse Kazuo Kodama, porta-voz do Ministério de Exteriores japonês.

Os países-membros do fórum exigiram do regime norte-coreano o imediato desmantelamento de seu programa nuclear e pediram à comunidade internacional que apoie o cumprimento da resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, após o recente lançamento de foguetes por Pyongyang.

A situação dos direitos humanos em Mianmar e a coordenação da luta contra o terrorismo também foram assuntos de destaque da reunião que a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) convoca todos os anos desde 1995 para abordar assuntos relativos à segurança regional.

A Asean aprovou na segunda-feira passada, ao início de sua reunião ministerial, a criação da Comissão de Direitos Humanos, um projeto paradoxal em uma região que inclui países como Mianmar, onde as liberdades básicas são limitadas.

Essa iniciativa foi recebida com críticas por 300 grupos civis regionais comprometidos com a defesa das liberdades básicas, que consideram que será ineficaz, por não ter mandato.

"Os ministros reconhecem que a região da Ásia-Pacífico enfrenta ameaças de diferente dimensão e desafios, por isso é necessário que o fórum continue se fortalecendo e, assim, mantendo sua relevância e primazia na promoção da paz e da estabilidade regional", afirmaram no comunicado conjunto, emitido ao final do encontro.

O fórum asiático de segurança ocorreu depois das reuniões bilaterais mantidas na quarta-feira pelos chefes da diplomacia e do encontro anual de ministros de Exteriores da Asean, realizado durante os dois dias anteriores.

A reunião em Phuket contou com a presença do alto representante para Política Externa e Segurança Comum da UE, Javier Solana, e da secretaria de Estado americana, Hillary Clinton, que aproveitou o encontro para assinar o pacto bilateral de não agressão com a Asean.

Outro assunto de destaque foi a luta contra o terrorismo, assunto que ocupou praticamente todo o discurso do ministro de Exteriores indonésio Hassan Wirayuda, disseram fontes oficiais.

"A Indonésia apelou aos membros do fórum para combater o terrorismo de maneira coordenada", disse aos jornalistas o chefe da diplomacia indiana, S.M. Krishna.

Nove pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas nos atentados com bomba cometidos na sexta-feira passada contra dois hotéis de Jacarta por supostos membros da Jemaah Islamiya, grupo considerado o elo terrorista da Al Qaeda no Sudeste Asiático.

Além dos dez membros da Asean, também fazem parte do fórum a Austrália, Bangladesh, Canadá, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Estados Unidos, Mongólia, Nova Zelândia, Paquistão, Papua Nova Guiné, Rússia, Sri Lanka, Timor-Leste e União Europeia.

A Asean é integrada por Brunei, Camboja, Mianmar, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã. EFE mfr/an

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