Islamabad, 29 out (EFE).- Pelo menos 130 pessoas morreram por causa de um terremoto de 6,2 graus na escala Richter registrado na madrugada de hoje na província do Baluchistão, no sudoeste do Paquistão, seguido por outro tremor de mesma intensidade 12 horas depois, informou à Agência Efe uma fonte oficial.

O presidente da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres paquistanês (NDMA, em inglês), general Farooq Ahmad Khan, acha possível que o número de mortos pelo primeiro terremoto aumentou e que crescerá nas próximas horas, mas não disse se o segundo tremor, de 6,4 graus, também causou vítimas.

O primeiro abalo foi registrado por volta das 4h de quarta-feira (21h de terça-feira em Brasília) e teve seu epicentro nas montanhas de Chiltan, a 70 quilômetros de Quetta, capital do Baluchistão.

Trata-se de uma região pouco povoada e com floresta densa, o que dificultou os trabalhos de resgate.

O ministro de Florestas do Baluchistão, Molvi Abdul Samad, afirmou à imprensa que 150 pessoas morreram em conseqüência do terremoto e que 15 mil ficaram desabrigadas.

Samad disse que foram enviadas mil tendas de campanha e 1.500 cobertores, e que pediu ajuda ao Governo central para fazer frente à catástrofe.

O presidente da NDMA declarou que o número divulgado pelo ministro do Baluchistão é um "cálculo" e insistiu que, por enquanto, foram confirmadas 130 mortes.

O general explicou que tanto o primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gillani, quanto o presidente do país, Asif Ali Zardari, ordenaram operações de resgate e ressaltou que o Exército enviou 12 helicópteros à região com equipamentos médicos para participar das tarefas de salvamento.

Por sua vez, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) alertou que os terremotos que atingiram hoje o Paquistão deixaram centenas de mortos e feridos, além de milhares de desabrigados.

"Não há uma informação clara sobre o número de mortos e feridos, mas os relatos iniciais indicam que centenas de pessoas devem ter ficado desabrigadas", disse o chefe do CICV em Quetta, Andrew Bartles-Smith.

Além disso, duas equipes de emergência da Cruz Vermelha se dirigiram para a região afetada e estão avaliando a situação e as necessidades.

Esses voluntários informaram que as réplicas continuaram durante todo o dia, por isso os moradores ficam do lado de fora de suas casas.

O CICV está trabalhando em coordenação com a sociedade local da Cruz Vermelha, que também enviou equipes de assistência às zonas afetadas.

As localidades mais afetadas são Loralai, Chaman, Pishin, Kuchlak, Quetta e, sobretudo, Ziarat, onde o vice-prefeito, Momin Khan Dummar, calcula que o número total de mortos poderia superar 190, mas frisou que é difícil calcular as perdas humanas, segundo a agência estatal "APP".

"Visitei pessoalmente Wam e outras áreas, onde 28 pessoas de apenas duas famílias morreram sob os escombros", disse Dummar, que acrescentou que soube de notícias "espantosas" de outras regiões que falam de um grande número de aldeães "sob os escombros".

Procurada pela Efe, a porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Paquistão, Antonia Paradela, informou que seu organismo enviou "equipes para avaliar as necessidades humanitárias" da população.

"A região é pouco povoada, mas é a mais pobre do Paquistão, e estamos preocupados com as crianças e as mulheres", declarou Paradela.

A porta-voz explicou que é difícil "ter acesso" às zonas afetadas desabrigadas pelo terremoto por causa das montanhas e acrescentou que os desmoronamentos podem afetar mais gente.

Paradela descartou que a catástrofe seja da magnitude do devastador terremoto de 7,6 graus na escala Richter, que em 2005 matou 80 mil pessoas na Caxemira.

"Aprendemos lições importantes desde o terremoto de 2005", disse a ministra da Saúde paquistanesa, Sherry Rehman, à "APP".

"O inverno acrescenta dificuldades à população afetada pelo terremoto. É importante que o Governo e a ajuda privada se coordenem para aperfeiçoar a disponibilidade de ajuda e distribuição", disse.

Gillani já ordenou uma indenização de 300 mil rúpias para as famílias dos mortos e de 100 mil rúpias para parentes dos feridos.

O tremor da madrugada foi seguido de várias réplicas de 4 graus na escala Richter sentidos nas províncias do Baluchistão e de Sindh, causando pânico entre a população, segundo uma fonte do serviço meteorológico citada pela rede "Geo TV".

Cerca de 12 horas após o primeiro terremoto, foi registrado outro de 6,4 graus na escala Richter na mesma região, segundo o general Khan. EFE igb/wr/plc

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