Segundo estudo da Lancet, a tragédia mais fatal foi a do Haiti, que deixou 316 mil mortos em janeiro de 2010

Os terremotos deixaram mais de 780 mil mortos na década passada, o que corresponde a quase 60% de todas as mortes relacionadas a desastres naturais, segundo um estudo que será publicado na edição de sexta-feira da revista científica The Lancet. "Além dessas mortes, os terremotos afetaram diretamente 2 bilhões nesse período", acrescentou.

Foto de 20 de janeiro de 2010 mostra a capital Porto Príncipe em meio a destroços
AP
Foto de 20 de janeiro de 2010 mostra a capital Porto Príncipe em meio a destroços
O terremoto mais letal, um evento de magnitude 7, atingiu a região de Porto Príncipe, capital do Haiti, em 12 de janeiro de 2010 , deixando 316 mil mortos. Depois dele vem o tsunami que varreu o Oceano Índico em 26 de dezembro de 2004 , causado por um tremor de magnitude 9,1, que deixou 227 mil mortos.

Em terceiro lugar está o terremoto de magnitude 7,9 registrado em 12 de maio de 2008 na Província de Sichuan, sudoeste da China, que deixou um total de 87,5 mil mortos.

O estudo visa a fornecer aos profissionais que atuam em trabalhos de emergência e desenvolvedores de políticas um retrato da escala dos terremotos enquanto prioridade de saúde e alertar médicos sobre os tipos de ferimentos com os quais eles podem se ver confrontados.

"Terremotos maciços podem resultar em taxas de vítimas variando de 1% a 8% entre a população de risco", destaca o estudo. "As proporções informadas de mortos e feridos variam, mas em muitos estudos parece ser de 1 a 3, aproximadamente", acrescentou.

O número de mortos aumenta em ondas, começando com as mortes imediatas causadas pelo desmoronamento de prédios, seguidas horas depois pelas mortes em decorrência de ferimentos em órgãos internos, segundo a pesquisa. Uma terceira onda ocorre nos dias e semanas seguintes em pessoas afetadas por septicemia e falência múltipla de órgãos.

Entre os sobreviventes, os principais ferimentos são relacionados à violenta compressão de rins, fígado e baço, seguidos de lesões na medula, fraturas e lacerações. As crianças são o grupo mais vulnerável, e correspondem de 25% a 53% dos pacientes relacionados aos terremotos.

Além das operações imediatas de busca e resgate, os profissionais de assistência precisam lidar com problemas derivados de doenças infecciosas em abrigos superlotados. Ao contrário do senso comum, os corpos não representam um perigo, a menos que haja um surto de cólera.

No longo prazo, os terremotos também têm um forte impacto na saúde mental, com alta prevalência da depressão. O estudo é de Susan Bartels, do Centro Médico Diaconisa Beth Israel, em Boston, Massachusetts, e de Michael van Rooyen, do Hospital Brigham para Mulheres, também em Boston.

Vista aérea mostra devastação em Aceh, na Indonésia
Getty Images
Vista aérea mostra devastação em Aceh, na Indonésia
Os dois alertaram que as ameaças provocadas pelo terremoto devem se intensificar à medida que a população mundial cresce e as cidades se expandem para regiões vulneráveis.

Entre as cidades situadas em regiões sísmicas estão Tóquio (32 milhões de habitantes), Cidade do México (20 milhões), Los Angeles (15 milhões) e Istambul (9 milhões), observaram os autores.

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