Terremoto transforma a bucólica Onna em ruína fantasmagórica

ONNA - Bastaram poucos minutos para que uma tranquila aldeia de agricultores e artesãos se transformasse em um desolador espetáculo onde cavalos e galinhas vagam em meio a pedras e ferros contorcidos. Após mil anos servindo de lar, Onna não existe mais.

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Vista aérea de Onna, cidade destruída pelo terremoto

Vista aérea de Onna, cidade destruída pelo terremoto

O terremoto que atingiu o centro da Itália na segunda-feira matou cerca de 40 moradores, ou 13% da população, o que faz dela uma das localidades mais atingidas. Bombeiros dizem que 90% das casas - ou o que sobrou delas - terão de ser demolidas.

"A coisa mais espetacular do terremoto não foi nem o impacto, mas apenas o som da cidade inteira desabando ao nosso redor", disse Paolo Ferroni, 60 anos, que conseguiu escapar junto com a esposa, mas está desabrigado.

Seu filho, que vive próximo, sobreviveu amarrando lençóis e usando-os para deixar o apartamento pela janela, contou o homem.

"Está vendo esta casa bem aqui ao meu lado? Uma mulher morreu aqui. Ali, duas casas caídas, outra pessoa morreu. E ao lado dela, três pessoas morreram. E lá, vê aquele monte no campo? Ali morreram 50 ovelhas", disse ele, apontando os lugares.

Cada um dos poucos moradores que restam nesta cidade deserta tem uma história de terror para contar, e falam de parentes que pereceram. Na quarta-feira, o saldo nacional de mortos subiu para 272, e há cerca de 17 mil desabrigados.

"Estávamos dormindo e do nada apareceu um ruído alto", disse Virgilio Colajani, 70 anos. "Corri para fora e havia uma mulher com mais de 90 anos na sua sacada, gritando 'Socorro, socorro', enquanto sua cuidadora implorava por uma escada. Outro homem estava de joelhos na escuridão, folheando um caderninho com uma luz, procurando o telefone do filho. A esposa dele morreu."

O chefe de uma das brigadas de bombeiros presentes no local, Giovanni Riccobene, contou como seus homens se emocionaram ao retirar os corpos de dois irmãos, de 3 e 5 anos, e do pai deles. A mãe, que sobreviveu, precisou ser sedada. "Ver aquelas criancinhas foi uma coisa tão dolorosa que não pode ser quantificada", afirmou Riccobene.

Nesta comunidade tão unida, onde não há bares nem restaurantes, os moradores levavam uma vida pacata até serem atingidos pela tragédia - a pior desde 1944, quando 16 moradores de Onna foram mortos por nazistas. "Esta é uma pequena aldeia, somos todos praticamente parentes", disse Colajani, que passou a vida inteira aqui.

Um parente dele, chamado Antonio, fica com os olhos marejados ao ver o que restou da sua casa, bege com persianas marrons. Metade do prédio havia caído na rua abaixo.

Ele conseguiu escapar graças a dois jovens que colocaram uma escada junto à sua janela, mas sua irmã e seu cunhado morreram.

"Bastaram cinco minutos para reduzir tudo a isto", disse o homem, de 79 anos, enquanto um desgrenhado cão sem dono permanecia deitado ali ao lado, de orelhas baixas. "Até o cão sabe que algo de horrivelmente errado aconteceu aqui. É quase como se ele estivesse esperando alguém para dizer: 'Venha, vamos embora daqui'".


Epicentro do terremoto foi em L'Aquila, no centro da Itália


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