Um mês após o terremoto de 8,8 graus de magnitude seguido de tsunami, que arrasaram várias regiões do Chile, quase 12 mil pessoas (11.978 mil) continuam desabrigadas, de acordo com dados do Escritório Nacional de Emergência chileno (Onemi, na sigla em espanhol).


    O mesmo organismo, ligado ao governo, informou que cerca de 960 mil pessoas foram afetadas pelo desastre, com perdas de familiares ou de seus bens.

    Os desabrigados estão morando em instituições públicas ou em barracas de acampamento. No total, 86,9 mil casas e apartamentos foram totalmente destruídos, além de 233 mil residências com danos menores e outras 117 mil com estragos significativos.

    A região de Maipu, em Santiago, foi uma das mais afetadas pelos tremores e diversos prédios foram completamente destruídos. Imagens transmitidas na sexta-feira pela emissora de televisão TVN revelam que o cenário é o mesmo, um mês depois da tragédia.

    A porta-voz dos moradores de Maipu, Pamela Márquez, perdeu sua casa e seu carro, que foi destruído pelos escombros do prédio onde morava, que desabou.

    "Ficamos sem casa e sem carro e não podemos entrar no prédio para retirar nossos bens porque temos medo que ele desabe. Estamos tentando fazer com que os bombeiros nos ajudem e que possamos pelo menos retirar o básico que temos lá dentro", disse Márquez.

    Ela contou que as 36 famílias que residiam no edifício estão morando na casa de parentes e sem expectativas de uma solução por parte dos construtores do imóvel.

    Demissões

    Além dos danos causados pelo terremoto, outro impacto dos tremores tem chamado a atenção dos chilenos nos últimos dias: o número de demissões por motivo de "força maior". Dados divulgados recentemente indicam que 8,4 mil trabalhadores chilenos foram demitidos com essa alegação após o terremoto.

    Pela lei chilena, a demissão por "força maior" deixa os funcionários sem direito a indenizações pelas empresas.

    Segundo a Onemi, os empregadores alegaram que o terremoto e as ondas gigantes afetaram suas companhias e que as empresas não teriam como pagar os direitos dos trabalhadores.

    Na semana passada, funcionários de uma clínica de Santiago realizaram protestos pedindo ao governo que reverta esta determinação. Diante das câmeras de televisão, representantes dos demitidos lamentavam a perda do emprego.

    "Neste grupo, temos uma grávida de oito meses e senhoras com mais de 40 anos de casa. E agora todos sem direito a nada", afirmaram os manifestantes.

    Reconstrução

    O governo do presidente Sebastián Piñera, que assumiu o cargo no dia 11 de março, anunciou as primeiras etapas do plano de reconstrução das áreas afetadas, com prioridade para as escolas das regiões de Maule e Biobío, as mais arrasadas pela catástrofe.

    Piñera estimou em US$ 30 bilhões os recursos necessários para a reconstrução. Neste sábado, a previsão é de que o líder chileno viaje à Talcahuano, um dos lugares mais destruídos pelas ondas gigantes.

    Na sexta-feira, ele percorreu várias localidades afetadas para supervisionar os primeiros passos do plano de reconstrução.

    Nos últimos dias, setores da oposição criticaram o plano de reconstrução, alegando ou que está "lento" ou "rápido e desorganizado".

    "A rapidez não é sinônimo de eficiência", disse o ex-presidente Ricardo Lagos.


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