Terremoto na Itália mata mais de 130 pessoas

Por Deepa Babington LAQUILA, Itália (Reuters) - Um forte terremoto sacudiu a região central da Itália enquanto moradores dormiam na madrugada desta segunda-feira, matando mais de 130 pessoas e deixando mais de 50 mil desabrigados.

Reuters |

Enquanto equipes de resgate continuavam em busca de sobreviventes sob os escombros e aceleravam a montagem de tendas para os desabrigados antes do anoitecer, autoridades alertaram que o número de mortos pode continuar a subir dramaticamente e se recusaram a estimar o número de desaparecidos.

Os mortos estavam em sua maioria em L'Aquila, uma cidade montanhosa do século 13 a cerca de 100 quilômetros de Roma, com 68 mil habitantes, e vilarejos vizinhos na região de Abruzzo. O terremoto ocorreu por volta das 3h30 (horário local, 22h30 de domingo no horário de Brasília) e tremores secundários foram registrados durante todo o dia.

"Algumas cidades da região foram virtualmente destruídas em sua totalidade", disse Gianfranco Fini, presidente da Câmara dos Deputados, antes de o Parlamento respeitar um minuto de silêncio pelas vítimas.

O governo regional de Abruzzo informou que mais de 130 pessoas foram confirmadas mortas, cerca de 16 horas depois do tremor, de magnitude entre 5,8 e 6,3. A agência de notícias Ansa informou que, de acordo com fontes hospitalares, mais de 150 pessoas haviam morrido.

"Acordei ouvindo um som que parecia uma bomba", disse Angela Palumbo, de 87 anos, enquanto caminhava por uma rua de L'Aquila.

"Conseguimos escapar com as coisas caindo ao nosso redor. Estava tudo sacudindo, os móveis caindo. Não lembro de ter visto nada assim em toda a minha vida", afirmou.

A Agência de Proteção Civil estimou que 50 mil pessoas podem estar desabrigadas. Vinte e seis cidades foram seriamente atingidas no terremoto mais mortal da Itália desde 1980, quando um sismo de 6,5 graus matou 2.735 pessoas no sul do país.

Casas mais velhas e edificações feitas de pedra, particularmente em vilarejos remotos que não passaram por um processo de restauração, desabaram como casas de palha no pior terremoto a atingir a Itália em quase 30 anos.

Centenas de pessoas ficaram feridas e cerca de 15 mil edifícios foram interditados.

O primeiro-ministro Silvio Berlusconi cancelou uma viagem a Moscou e declarou emergência nacional, o que lhe possibilita liberar fundos para assistência e reconstrução.

O papa Bento 16 disse que faria uma oração especial pelas vítimas.

Hospitais faziam apelos por ajuda de médicos e enfermeiros através da Itália. Um mau cheiro de gás cobria algumas partes das cidades montanhosas, após a ruptura de dutos.

"MEU PAI CERTAMENTE ESTÁ MORTO"

"Quando ocorreu o terremoto, corri para a casa do meu pai, abri a porta principal e tudo tinha desabado. Meu pai certamente está morto. Eu gritei por socorro, mas não havia ninguém em volta", afirmou Camillo Berardi, em L'Aquila.

Escombros estavam espalhados pela cidade e municípios próximos, bloqueando estradas e atrapalhando o resgate de vítimas. Idosos choravam e moradores sem nada ajudavam bombeiros e equipes de resgate a retirarem o entulho.

"Milhares de edifícios desabaram ou foram danificados", afirmou Agostino Miozzo, uma autoridade da Defesa Civil.

Uma moradora de L'Aquila, observando um conjunto de apartamentos que foi reduzido à altura de uma pessoa adulta, afirmou: "O prédio tinha quatro andares".

Alguns carros ficaram sob os escombros.

Em outra região da cidade, moradores tentaram calar os gritos das pessoas para identificar de onde vinha o choro de uma criança.

Houve inúmeros relatos de desabamentos de igrejas do estilo renascentista. Uma parte de uma residência universitária e de um hotel desabaram em L'Aquila, deixando dezenas de feridos e soterrados.

O terremoto levou ao chão a torre do sino de uma igreja no centro de L'Aquila. Pontes e rodovias na área montanhosa foram fechadas por precaução.

Semanas antes do desastre, um cientista italiano previu que um grande terremoto ocorreria nos arredores de L'Aquila, baseado nas concentrações de gás radônio em áreas sismicamente ativas.

O sismólogo Gioacchino Giuliani foi notificado pela polícia por "espalhar o temor" e forçado a remover suas descobertas da internet. A Agência de Defesa Civil da Itália reassegurou aos moradores, no fim de março, que os tremores sentidos eram "absolutamente normais" para regiões sismicamente ativas.

O terremoto foi o mais recente e de maior magnitude de uma série de tremores que atingiram a região no domingo e nesta segunda-feira. Os tremores são particularmente perigosos na Itália, pois muitos edifícios têm séculos de existência.

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