Terremoto na China pode ter matado mais de 80 mil pessoas, diz primeiro-ministro

Mais de 80 mil pessoas podem ter morrido no terremoto que devastou o sudoeste da China, declarou neste sábado o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, a quem o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou o apoio de toda a comunidade internacional.

Redação com agências internacionais |

Ban Ki-moon estava com Wen Jiabao em Yingxiu, o epicentro do terremoto de 8 graus na escala Richter que arrasou a província de Sichuan no dia 12 de maio. A cidade, que tinha cerca de 10.000 habitantes antes da catástrofe, está totalmente destruída.

Segundo Wen Jiabao, o terremoto, o mais mortífero na China em mais de 30 anos, deixou mais de 60.000 mortos confirmados , e o número de vítimas "pode aumentar para 70.000, 80.000 ou até mais".

Em Pequim, o governo lembrou que há por enquanto 60.500 mortos e 26.221 desaparecidos. Ele destacou que a catástrofe deixou mais de 5,47 milhões de pessoas desabrigadas e que muitos outros moradores terão que ser retirados de áreas de risco. No total, segundo as autoridades, mais de 11 milhões de pessoas precisarão ser reinstaladas.

Ban Ki-moon chegou à China depois de uma visita a Mianmar, onde obteve sexta-feira da Junta Militar a promessa de deixar entrar todos os trabalhadores humanitários estrangeiros para ajudar os sobreviventes do ciclone Nargis .

Ao contrário, em Sichuan, o secretário-geral da ONU elogiou a reação rápida de Pequim depois do terremoto.

"Meu coração se encheu de tristeza ao ver as devastações. Porém, ao mesmo tempo, pude ver os ministros chineses trabalhando muito para superar esta tragédia num espírito de solidariedade, de cooperação, de determinação e de coragem", afirmou.

"Se trabalharmos duro, conseguiremos superar isso. Vocês (os chineses) podem contar com todo o apoio da comunidade internacional", prosseguiu.

AP
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Homem soterrado por mais
de uma semana é socorrido
Wen Jiabao agradeceu à comunidade internacional por sua ajuda e afirmou que o governo aplicou "uma política de abertura, porque este terremoto não é apenas um desastre para o povo chinês, mas também para toda a humanidade".

Ajuda internacional

Depois de algumas hesitações, o governo chinês autorizou a entrada de equipes de socorristas e médicos estrangeiros.

Neste sábado, no momento em que o presidente russo, Dmitri Medvedev, encerrava em Pequim uma visita de dois dias, o Exército russo enviava à China oito aviões carregados com material humanitário, sobretudo barracas, cobertores e cozinhas móveis.

De acordo com representantes americanos, os Estados Unidos enviaram esta semana três aviões militares carregados de ajuda a Chengdu, a capital da província de Sichuan.

Na cidade de Dujiangyan, a Cruz Vermelha alemã instalou um hospital móvel.

"A ajuda alemã é preciosa porque o hospital de Dujiangyan, parcialmente destruído pelo terremoto, não pode funcionar normalmente", frisou o diretor adjunto do estabelecimento, Fu Tang.

Médicos russos e japoneses também estão em Sichuan. O primeiro contingente de médicos franceses, uma equipe de 13 pessoas, deve chegar neste domingo à capital da província.

Em Yingxiu, a prioridade já não é mais a busca por sobreviventes, mas o combate aos riscos de epidemias, potencializados pela falta de abrigos, de água potável e a chegada do verão.

As autoridades chinesas precisam urgentemente de barracas e medicamentos, principalmente antibióticos.

Prioridade ainda é salvar vidas

Mesmo 11 dias após o terremoto de 8 graus na escala Richter, a prioridade continua sendo salvar vidas. O vice-governador provincial, Li Chengyun, em entrevista coletiva pelo canal estatal "CCTV-4", afirmou que as equipes conseguiram resgatar 83.988 pessoas na província.

Li Chengyun explicou que os sobreviventes precisam de uma grande quantidade de remédios e tendas de campanha para se abrigar, já que a maioria perdeu tudo.

"Precisamos de tendas de campanha e casas provisórias. Mais de 5 milhões de pessoas afetadas pelo terremoto precisam de ajuda apropriada", disse o vice-governador, que também falou da necessidade de máquinas para separar os escombros e limpá-los.

De acordo com Li, 33 estradas em sua jurisdição permanecem bloqueadas e os trabalhos de reconstrução da região devastada durarão até três anos. "A área afetada é muito montanhosa e isto traz grandes dificuldades para os trabalhos de reconstrução", disse o vice-governador.

Salvamentos dão esperança

Nos relatórios que chegam da região atingida pelo tremor de terra, as notícias de sobreviventes vem diminuindo, mas algumas histórias ainda mantêm viva a esperança. Um exemplo foi o salvamento na sexta-feira de um casal de idosos, Tian Yueqing, de 92 anos, e Cao Shuyun, de 84, sem filhos, que ficaram isolados em sua cabana na montanha Qingcheng após o terremoto.

Uma equipe de 200 mil voluntários, que inclui até psicólogos, trabalha nas tarefas de resgate e socorro para atenuar os efeitos da pior tragédia desde a fundação da República Popular da China em 1949, segundo líderes do país.

Mais de 7 mil réplicas atingiram Sichuan desde o dia 12, causando pânico entre os sobreviventes, já que algumas delas alcançaram 6,1 graus na escala Richter.

Formação de lagos

Por outro lado, as regiões devastadas são ameaçadas agora pela formação de 34 lagos por causa dos deslizamentos de terra, oito deles a ponto de transbordar com o início da temporada de chuvas. Já também o risco de uma invasão de ratos, que podem transmitir doenças contagiosas entre os sobreviventes.

Além disso, a ONU informou hoje que a represa de Bikou, em Sichuan, "se movimentou 30 centímetros" por causa do terremoto e tornou-se "em uma ameaça potencial para os moradores da região".

A porta-voz do Escritório de Cooperação de Assistência Humanitária das Nações Unidas (Ocha, em inglês), Elisabeth Byrs, também confirmou que "as instalações nucleares e fontes radioativas com fins civis" na mesma província "são seguras e estão sob controle".

Byrs também disse que o Ministério de Proteção ao Meio Ambiente da China concluiu que "a qualidade do ar está normal, comparada com a registrada antes do terremoto" nas regiões afetadas.

(*Com informações das agências AFP, EFE e da BBC)

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