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Terremoto era questão de tempo , diz geólogo

O terremoto que atingiu o Haiti na terça-feira era uma apenas uma questão de tempo, nas palavras de um cientista britânico.

BBC Brasil |

Segundo Roger Musson, da British Geological Survey (BGS), o Haiti está localizado sobre uma falha geológica entre duas placas tectônicas, que há 250 anos vinham acumulando energia.

"A questão era se liberaria tudo de uma vez ou em uma série de terremotos menores", ele disse.

O tremor é considerado o mais forte a ocorrer em terra nos últimos cem anos no Haiti.

A maior característica geológica da região é a divisa entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Norte, onde vastas extensões de camadas da Terra deslizam lado a lado, em um movimento horizontal.

A placa do Caribe parece se movimentar para o leste em relação à norte-americana, a uma taxa de cerca de 20 mm por ano.

Na região onde o terremoto ocorreu, existem uma série de pequenas falhas, sendo as duas principais a falha Setentrional, no norte, e a falha Jardim Enriquillo-Plaintain, no sul.

Os dados sísmicos sugerem que o tremor de terça-feira ocorreu na falha Enriquillo-Plaintain.

"(A falha) permaneceu presa por cerca de 250 anos", disse Roger Musson.

"Durante todo esse tempo, ficou acumulando energia cada vez que as placas passavam umas pelas outras, e era apenas uma questão de tempo para que liberasse toda essa energia."

De acordo com o US Geological Survey, a falha Enriquillo-Plaintain pode ser a origem de vários tremores de terra fortes já registrados na história da região em 1860, 1770, 1751, 1684, 1673 e 1618.

Relatos sugerem que, no último evento, a superfície ao longo da falha pode ter avançado cerca de um metro.

Infraestrutura

A tragédia foi pior porque, quando veio, pegou desprevenido um país sem infraestrutura para conter esse tipo de evento.

Em países industrializados, os prédios nas zonas de terremoto são construídos sobre sistemas amortecedores que reduzem o estrago causado por movimentos de trás para frente e deformações causadas por um mesmo movimento.

Submetidos à mesma pressão, as estruturas de concreto de Porto Príncipe, mais simples, sucumbiram.

Os sismógrafos registraram uma magnitude de 7 graus na escala Richter às 16h53 no horário local (19h30 em Brasília).

A proximidade do epicentro em relação a Porto Príncipe (15 km) e a profundidade do foco sísmico (8 km) conferiram intensidade máxima às forças destrutivas.

"A proximidade da superfície é um dos principais fatores a contribuir com a gravidade dos tremores de qualquer terremoto", disse David Rothery, cientista da Open University, na Grã-Bretanha.

"Além do mais, os tremores tendem a ser mais fortes diretamente acima da fonte. Nesse caso, o epicentro estava a apenas 15 km do centro da capital que, portanto, foi muito afetada."

Uma série de fortes tremores secundários - com intensidade maior que 5 graus - completaram a devastação.

Não há dúvida de que o Haiti está acostumado a desastres naturais. A nação caribenha é frequentemente atingida por furacões.

Em 1946, um terremoto de 8,1 graus atingiu a República Dominicana, que junto com o Haiti compõe a ilha de Hispaniola, produzindo um tsunami que matou quase 2 mil pessoas.

O país pode pelo menos confiar no sistema de reação posto em vigor para lidar com esse tipo de emergência. Mas muitas das pessoas que normalmente coordenam esses esforços também estará sendo afetado, como o resto da população.

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