Terremoto em área tribal afegã mata 20 e causa destruição

Cabul, 17 abr (EFE).- Um terremoto de 5,1 graus de magnitude na escala Richter registrado de madrugada (quinta-feira de Brasília) em uma vulnerável área tribal do leste do Afeganistão deixou pelo menos 20 mortos, 50 feridos e destruiu centenas de casas, enquanto as equipes de resgate trabalham sobre os escombros.

EFE |

O presidente afegão, Hamid Karzai, disse, em comunicado, que o primeiro tremor teve epicentro no distrito de Shirzad, situado na província de Nangarhar, "após a meia-noite", e uma réplica foi registrada "antes do amanhecer".

Vinte pessoas morreram e 50 ficaram feridas, segundo Karzai, que falou por telefone com as autoridades regionais para se informar sobre a catástrofe e com os líderes tribais da área para expressar "condolências" às famílias das vítimas, segundo a nota.

Também ordenou a mobilização das equipes de resgate e pediu às organizações de ajuda humanitária que prestem assistência aos familiares das vítimas.

Contatado por telefone, o chefe da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres do Afeganistão (Andma, em inglês), Abdul Matin Adrak, confirmou à Agência Efe o número de 20 mortos, apesar de uma fonte de seu escritório ter elevado antes o número de vítimas fatais para 22.

Adrak insistiu em que, após conversar com as autoridades locais, o número confirmado de mortos é de 20, mas as equipes de resgate ainda estão tentando encontrar vítimas sob os escombros e testemunhas citadas pela agência afegã "AIP" disseram que até 40 pessoas podem ter morrido.

"Entre 200 e 300 casas foram danificadas ou destruídas", acrescentou o chefe da Andma.

Também confirmou que o terremoto foi de 5,1 graus na escala Richter (que vai até 12), magnitude relativamente baixa, mas ressaltou que o tremor foi especialmente destrutivo, devido à vulnerabilidade da área.

Nos últimos dias, houve intensas chuvas em Shirzad, o que enfraqueceu a estrutura das precárias casas locais, que são feitas de adobe, explicou Adrak.

A "fragilidade" destas construções fez com que as casas desabassem com os tremores, registrados às 1h (17h30 de Brasília da quinta-feira) e às 4h (20h30 de Brasília de ontem), disse.

O porta-voz do Governo provincial de Nangarhar, Ahmad Zia Abdulzai, disse à Efe que o tremor em Shirzad atingiu especialmente um pequeno município da tribo nômade kuchi, que costuma morar em frágeis casas.

Esta é uma das várias tribos - todas de etnia pashtun - que vivem em Nangarhar, uma região afegã fronteiriça com o Paquistão que se encontra na grande cordilheira de Hindu Kush, que se estende do centro afegão até a Índia.

O terremoto teve epicentro a cerca de 85 quilômetros de Cabul e a 45 quilômetros da capital regional, Jalalabad, com uma profundidade de 3,2 quilômetros.

O abalo também foi sentido no Paquistão, precisamente em Islamabad e na cidade vizinha de Rawalpindi, onde, segundo uma fonte do departamento meteorológico do país, houve um terremoto de 5,4 graus na escala Richter com epicentro no Afeganistão, mas sem vítimas ou danos materiais.

O último grande terremoto no Afeganistão havia ocorrido em abril de 2002, quando pelo menos 27 pessoas morreram em um terremoto de 5,8 graus no montanhoso norte do país.

Outros tremores foram registrados nos últimos anos - com cinco mortos em 2005 e oito em 2004 - na cordilheira de Hindu Kush.

O terremoto mais violento na região foi o de outubro de 2005, de 7,6 graus na escala Richter, que matou 86 mil pessoas na Caxemira, especialmente do lado paquistanês. EFE lo-nh-amp/an

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