Terremoto deixa centenas de mortos no Haiti

Um forte terremoto matou centenas de pessoas nesta terça-feira no Haiti, destruindo o centro de Porto Príncipe, onde desabaram o Palácio Presidencial, o Congresso, vários ministérios e a Catedral, informaram diversas fontes.

AFP |

"Acreditamos que há centenas de mortos", disse um médico da capital haitiana.

"O centro de Porto Príncipe está destruído, é uma verdadeira catástrofe", revelou um morador da cidade, após caminar vários quilômetros em meio a cenas de pânico.

Diplomatas americanos observaram "numerosos corpos nas ruas e calçadas" de Porto Príncipe, revelou Philip Crowley, porta-voz do departamento americano de Estado.

"Evidentemente, há muitos mortos", disse o porta-voz.

O departamento americano de Estado confirmou em Washington que diversas informações "deixam claro que há muitos mortos", e o embaixador dos Estados Unidos no Haiti, Raymond Joseph, disse que trata-se de "uma catástrofe de enormes proporções".

Um membro da ONG americana Catholic Relief Services, que concede ajuda humanitária em Porto Príncipe, descreveu a situação como "caos", e disse temer "milhares de mortos".

"O Palácio Nacional, os ministérios das Finanças, Trabalho, Comunicação e Cultura, o Palácio da Justiça e a Escola Normal Superior" caíram, disse um jornalista da TV Haitipal por telefone.

O prédio do Parlamento e a Catedral de Porto Príncipe também desabaram, segundo a mesma fonte.

Um funcionário das Nações Unidas no Haiti disse à AFP que o tremor destruiu a sede da força de paz da ONU.

"A maior parte da sede da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) está destruída. Há muita gente sob os escombros, mortos e feridos".

Segundo um responsável na ONU no Haiti, vários funcionários da Minustah estão desaparecidos.

A missão da ONU para a estabilização, no Haiti desde junho de 2004, tem cerca de 11 mil homens, incluindo mais de 1.200 militares do Brasil.

O correspondente da AFP em Petionville, na região de Porto Príncipe, viu um prédio de três andares desabar sobre várias vítimas, enquanto centenas de pessoas corriam pelas ruas, em pânico.

Em Petionville reside a maioria dos diplomatas e funcionários das Nações Unidas que trabalham no Haiti.

A porta-voz do Bureau de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), Stephanie Bunker, informou que a organização prepara um grande esforço internacional para socorrer o Haiti.

A OCHA já enviou mensagens de alerta a suas diferentes agências de todo o mundo com o objetivo de preparar uma mobilização excepcional para socorrer o país, disse Bunker.

O presidente americano, Barack Obama, disse que "acompanha a situação" e que "está pronto para ajudar o povo do Haiti".

"Meus pensamentos e orações estão com os que foram afetados por este terremoto", destacou Obama.

O Comando Sul dos Estados Unidos está acompanhando a situação e prepara a assistência humanitária.

"Estamos monitorando a situação e coordenando tudo para responder, rapidamente, a qualquer decisão do departamento de Estado ou do departamento de Defesa para socorrer o Haiti", disse José Ruiz, porta-voz do Comando Sul.

O Comando Sul, que abrange a América Latina e o Caribe, socorreu o Haiti após o desastre humanitário provocado por furacões e tempestades tropicais em 2008.

A França se prepara para enviar, o mais rápido possível, ajuda ao Haiti, informou na manhã de quarta-feira o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner.

"Neste momento dramático, a França expressa sua total solidariedade com a República do Haiti e envia um testemunho forte e solidário de simpatia ao povo haitiano".

O Instituto Geofísico Americano (USGS) informou que o tremor ocorreu às 21H53 GMT (19H53 Brasília), com epicentro situado a 14 km da localidade de Carrefour, e a 27 km de Petionville, no sudeste do Haiti.

A princípio, o USGS comunicou um tremor de 7,3 graus na escala de magnitude, mas revisou a intensidade para 7 graus. O terremoto foi seguido por dois abalos menos intensos, de 5,9 e 5,5 graus.

O USGS utiliza a escala de Magnitude de Momento.

Um alerta de tsunami emitido para a região foi cancelado posteriormente.

O terremoto também sacudiu a República Dominicana, que compartilha com o Haiti a ilha de Hispaniola, mas até o momento não há relatos de danos importantes no território dominicano.

"Em todas as regiões sentimos os efeitos do tremor, mas não temos informes sobre danos...", revelou Luis Luna Paulino, diretor da Defesa Civil dominicana.

O Haiti, que tem a pior renda per capita da América Latina e 70% da população de oito milhões de habitantes abaixo da linha da pobreza, tem sido atingido por uma série de catátrofes naturais e convulsões políticas nos últimos anos.

afp/LR

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