Centenas de pessoas podem ter morrido em consequência de um terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu o sul da capital do Haiti, Porto Príncipe na tarde desta terça-feira - o tremor mais forte a afetar o país nos últimos 200 anos. Em um espaço de um minuto, o terremoto destruiu a sede da missão das Nações Unidas no país, o palácio presidencial e vários outras edificações na capital.

O embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Raymond Joseph, disse que as sedes do palácio presidencial, da sede da Receita Federal, do Ministério do Comércio e do Ministério das Relações Exteriores sofreram danos provocados pelo tremor, mas que o aeroporto da capital estava intacto.

Segundo ele, o presidente René Preval escapou ileso do terremoto.

O secretário da ONU para Operações de Paz, Alain Le Roy, afirmou que a sede da Organização no país foi gravemente afetada e diversos funcionários estariam desaparecidos.

A sede do Banco Mundial também foi destruída, e alguns funcionários da instituição ainda estão desaparecidos. A organização anunciou o envio de uma equipe para o Haiti para avaliar os danos e ajudar a montar um plano de recuperação.

Epicentro
Segundo o US Geological Survey, a agência geológica americana, o terremoto ocorreu por volta das 16h53 (horário local, 19h53 de Brasília).

O epicentro do tremor foi localizado a cerca de 15 quilômetros de Porto Príncipe, a apenas 10 quilômetros de profundidade.

Pelo menos dois tremores secundários - de 5,9 e 5,5 graus, respectivamente, foram registrados logo após o primeiro terremoto. Cerca de cinco horas após o tremor inicial, uma testemunha disse à BBC que esses tremores secundários eram sentidos a cada dez minutos.

Um enviado dos Estados Unidos ao Haiti descreveu a situação como "catástrofe" e disse que os prejuízos provocados pela destruição podem chegar a "bilhões de dólares".

Escombros
Funcionários de agências humanitárias e repórteres que estão no local estimam que o número de mortos deve chegar às centenas ou até mesmo aos milhares.

Veículos que tentam levar os feridos aos hospitais encontram dificuldades ara se locomover em ruas tomadas pelos escombros.

Corpos, muitos cobertos com uma camada branca de pó, podiam ser vistos empilhados na traseira de um caminhão.

Segundo o relato de um funcionário da uma organização não governamental Food for the Poor, a cidade inteira de Porto Príncipe estava às escuras após o anoitecer.

"Há milhares de pessoas sentadas nas ruas sem ter para onde ir. Há pessoas correndo, chorando, gritando", afirmou Rachmani Domersant à agência de notícias Reuters.

Alerta de tsunami
Mike Blanpeid, do US Geological Survey, disse à BBC que os tremores secundários devem continuar.

Segundo ele, cerca de 3 milhões de pessoas devem ter sido atingidas pelos tremores da terça-feira. O especialista disse ainda que o epicentro raso - de apenas 10 km de profundidade - é ainda mais devastador e os estragos devem ser "significativos".

Um alerta de tsunami para alguns países do Caribe, inclusive o Haiti, foi acionado logo após os tremores, mas já foi suspenso.

O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu para que os funcionários do governo se preparem para prestar assistência humanitária e disse que está "monitorando de perto a situação" e que o país "está pronto para ajudar o povo do Haiti".

O enviado do governo americano Henry Bahn, do ministério da Agricultura, disse à agência de notícias Associated Press que o céu em Porto Príncipe estava "só cinza e com fumaça".

Uma residente da capital, Valerie Molerie, de 15 anos, disse que muitas pessoas feridas estão nas ruas e que várias casas desmoronaram.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento anunciou a liberação de US$ 200 mil para uma ajuda de emergência ao país.

Brasil
O Brasil está no comando da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), criada em 2004 para restabelecer a ordem política no país.

A Minustah tem tropas de 15 países e atualmente o Brasil possui cerca de 1,2 mil militares trabalhando em solo haitiano.

Um porta-voz do Itamaraty disse à BBC Brasil que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, já conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a situação no Haiti. Amorim relatou a dificuldade do governo em conseguir informações da área atingida pelo terremoto.

Segundo o Itamaraty, "o presidente disse estar bastante preocupado com a situação dramática do país".

O governo, no entanto, ainda não tem informações sobre a situação dos brasileiros no Haiti.

Em um comunicado, o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, disse ter pedido que os militares brasileiros presentes no Haiti façam todo o esforço possível para ajudar a população local após o tremor.

Segundo o comunicado, houve alguns danos materiais em instalações usadas por brasileiros, mas somente nesta quarta-feira será possível um balanço mais concreto sobre esses danos.

O Haiti é o país mais pobre das Américas e ainda estava se recuperando de um furacão que atingiu seu território há aproximadamente um ano.

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