Mas apenas 10% dos edifícios têm danos estruturais; tremor mata 9, fere 259 e força milhares a passar a noite ao relento

O presidente da Comunidade Autônoma de Múrcia, Ramón Luis Valcárcel, disse nesta quinta-feira ao jornal espanhol El País que 80% das casas de Lorca, sudeste da Espanha, foram danificadas pelo terremoto de 5,1 graus de magnitude que se seguiu a outro de 4,5 e deixou nove mortos e 259 feridos na quarta-feira na cidade. O número de vítimas fatais aumentou de oito para nove depois da morte de um de três feridos que estavam em estado muito grave. Também há um desaparecido.

Fontes da prefeitura indicaram à EFE que "praticamente todos" os aproximadamente 20 mil imóveis do centro urbano da cidade de 92 mil habitantes sofreram algum tipo de dano. A prefeitura convocou para esta quinta-feira uma reunião com arquitetos e engenheiros para avaliar os danos.

Os abalos derrubaram parcial ou totalmente vários edifícios, enquanto muitos outros apresentam grandes danos à vista, como fendas nas fachadas e desabamento de telhados, janelas e portas. No entanto, depois da revisão da maioria dos edifícios pelos técnicos nesta quinta-feira, constatou-se que apenas 10% das construções têm "danos estruturais", disse o prefeito Francisco Jódar.

O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, disse na manhã desta quinta-feira que o governo não "abrirá mão de nenhum meio econômico para a tarefa de reconstrução da cidade", localizada na região de Múrcia, que sofreu danos "consideráveis" e um "impacto muito sério".

Milhares acordaram nesta quinta-feira ainda assustados na cidade, depois de passar a noite ao relento , enquanto os serviços de emergência limpavam as ruas e retiravam os destroços. Milhares de moradores, muitos deles imigrantes, sobretudo equatorianos, norte-africanos e subsaarianos, passaram a noite na esplanada onde fica o mercado popular da cidade. 

A previsão é de que centenas - ou até milhares - tenham de voltar a dormir fora de suas casas nesta quinta-feira. Soldados da Unidade Militar de Emergências procedentes de Madri e Valência instalarão nesta quinta-feira três novos acampamentos em vários pontos da cidade.

Os nove mortos - quatro homens, um adolescente de 14 anos, e quatro mulheres, sendo duas grávidas - já foram identificados, segundo a prefeitura.

Os feridos foram atendidos pelas unidades de emergências nos hospitais de campanha habilitados em Lorca e os 30 mais graves transferidos para hospitais da região.

Dos feridos, dois continuam em situação grave, mas evoluem de maneira favorável, disse o prefeito de Lorca, Francisco Jódar. Os feridos mais graves, que estão internados em um hospital da cidade vizinha de Múrcia, são uma criança e uma mulher.

Entre 10 mil e 15 mil abandonaram suas casas e passaram a noite em parques, praças e estacionamentos da cidade pelo medo de tremores secundários e desabamentos. Em um primeiro momento foram acolhidos 8 mil desalojados nos abrigos, número que diminuiu ao longo da noite, na medida em que muitos encontraram abrigo em casas de familiares, disseram fontes municipais.

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O terremoto de 5,1 graus atingiu Lorca duas horas após o tremor de 4,4 graus, deixando, além dos mortos e feridos, importantes danos em casas e prédios históricos. De acordo com a Agência Geológica dos EUA, o abalo sísmico de 5,1 ocorreu a apenas 1 km de profundidade. Com epicentro a sete quilômetros de Lorca, ele foi sentido em quase todo o território regional e em províncias limítrofes.

Nos trabalhos de busca, resgate e ajuda à população atingida trabalham ao menos 420 militares, assim como mais de 200 voluntários de Defesa Civil e dezenas de bombeiros.

A Unidade Militar de Emergências instalou três grandes acampamentos para atender os desabrigados. O tremor é o mais grave dos últimos 50 anos na Espanha e o primeiro com mortos desde um em 1969, quando quatro pessoas morreram de ataques cardíacos.

No entorno de Lorca serão registrados nos próximos dois meses pequenas réplicas, disse o diretor da Unidade de Registros Sísmicos da Universidade de Alicante, José Juan Giner. O primeiro vice-presidente do governo espanhol e ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba; a titular da Defesa, Carme Chacón; e Mariano Rajoy, líder do conservador Partido Popular (PP), o principal da oposição na Espanha, viajaram nesta quinta-feira à cidade.

Os principais partidos políticos suspenderam os atos eleitorais na Espanha, imersa na campanha eleitoral para a votação regional e municipal de 22 de maio.

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