Santiago do Chile, 27 fev (EFE).- Um terremoto de mais de 8 graus na escala Richter causou hoje pelo menos 82 mortos e uma grande destruição no centro e no sul do Chile.

Às 03h36 deste sábado, quando a maioria dos 17 milhões de chilenos ainda dormiam, ocorreu o tremor que, segundo os analistas, foi 50 vezes mais poderoso que o sismo do Haiti em 12 de janeiro.

O Instituto Geológico dos Estados Unidos atribuiu ao tremor uma magnitude de 8,8 graus na escala Richter e situou seu epicentro na região sulina de Bio-Bio, a 500 quilômetros de Santiago e a cerca de 90 quilômetros ao sudeste de Concepción, a capital regional.

No entanto, o Instituto Sismológico da Universidad de Chile disse que o tremor alcançou 8,3 graus na escala Richter e teve o epicentro no litoral, a 63 quilômetros ao sudoeste da cidade de Cauquenes, no limite entre as regiões do Bio-Bio e Maule, mais ao norte.

De acordo com os relatórios das autoridades chilenas, Maule, a 300 quilômetros de Santiago, foi a mais atingida e, segundo o ministro do Interior, Edmundo Pérez Yoma, nessa região morreram 34 das 82 vítimas fatais confirmadas até o momento.

Também ocorreram mortes na região metropolitana de Santiago (13), O'Higgins (12), Bio-Bio (14), Araucania (5) e Valparaíso (4), além de uma quantidade de feridos ainda não quantificada.

A presidente Michelle Bachelet, que chegou ao Escritório Nacional de Emergência (Onemi) poucos minutos depois do terremoto, viajou a Maule antes do meio-dia, para ver de perto os efeitos do terreno na área.

Todo o território entre as regiões de Valparaíso e Araucania foi declarado em estado de catástrofe pelo Governo, que imediatamente começou a contabilizar os danos materiais, que incluem queda de pontes e passarelas nas estradas que ligam Santiago ao sul do país.

As autoridades recomendaram os chilenos a não viajar, salvo por extrema necessidade, enquanto as cidades atingidas, entre estas a capital, permanecem quase paralisadas.

Em Santiago, não está funcionando a ferrovia subterrânea e o transporte de superfície está bastante reduzido. O aeroporto internacional foi fechado devido alguns danos na torre de controle e no terminal de passageiros.

Em princípio, as autoridades informaram que o aeroporto estaria fechado por 24 horas. Mais tarde, no entanto, a medida foi estendida para 48 horas e fontes aeronáuticas não descartam uma nova prorrogação da paralisação.

Isso colocou em suspenso a realização do 5º Congresso da Língua, que deve começar em Valparaíso na próxima terça-feira, com a participação dos Reis da Espanha.

Também foi suspenso o jogo de futebol do fim de semana e o encerramento do Festival de Viña del Mar.

O terremoto se estendeu por mais de 800 quilômetros da geografia chilena, com intensidades de até 9 graus na escala internacional de Mercalli, que vai de 1 a 12, segundo as autoridades.

Até as 12h, mais de 20 réplicas haviam sido registradas, com magnitude superior a 5 graus na escala Richter.

O tremor levou a maioria dos países do Pacífico a lançarem alertas de tsunamis, algo que a Marinha chilena descartou, apesar de alguns episódios de ressacas em algumas localidades.

No arquipélago de Juan Fernández, a 600 quilômetros do litoral, uma onda de 7 metros atingiu uma localidade, onde aldeões disseram às emissoras de rádio que havia três desaparecidos.

Ondas consideráveis danificaram algumas casas na localidade de Iloca, na região do Maule e na Ilha de Páscoa, apesar de esta ficar a 3,6 mil quilômetros da região afetada. As autoridades locais evacuaram Hanga Roa, o principal povoado do lugar e capital da ilha.

Apesar de estarem acostumados a viver sobre um solo agitado por uma média de 20 tremores diários, a maior parte imperceptível para a população, os chilenos seguem buscando uma resposta para estes fortes golpes da natureza.

Uma delas é que o Chile está situado no "Anel de Fogo", uma das regiões mais sísmicas de todo o mundo.

Estatisticamente, a interação entre as placas tectônicas de Nasza e da América do Sul produz um sismo destruidor a cada 10 anos, uma média de 20 pequenos tremores diários e quase 4 mil movimentos sísmicos anuais, segundo o Instituto de Geofísica da Universidad de Chile.

A história sísmica do Chile remonta a 28 de outubro de 1562, quando 2 mil pessoas morreram na região de Concepción, a 520 quilômetros ao sul de Santiago.

Desde então, o Chile sofreu 83 grandes terremotos, que nos últimos 50 anos causaram 40.265 vítimas mortais.

O último grande sismo que atingiu o norte do Chile ocorreu em 30 de julho de 1995, quando um terremoto de 7,8 graus na escala Richter sacudiu a cidade de Antofagasta, a 1.368 quilômetros de Santiago, com mortos, feridos e danos consideráveis. EFE mc/dm

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