Terra esgotada em Minas Gerais levou agricultor para Amazônia

O agricultor mineiro Cássio Barbosa diz que quando chegou à Amazônia, no começo dos anos 80, a ordem era desmatar pelo menos 50% da fazenda para conseguir ficar com a terra, mas afirma que já naquele tempo percebeu que isso não era boa ideia porque já tinha sentido na pele os efeitos do desmatamento. A família já tinha decidido mudar sua fazenda da região de Carlos Chagas, em Minas Gerais, para a Amazônia porque os descuidos com o meio ambiente em seu estado natal prejudicaram a produtividade das terras por lá.

BBC Brasil |

"Como nós viemos de uma região que praticamente assolou (a vegetação), que foi Minas Gerais, nós já chegamos aqui com esse conhecimento. Por isso a gente ainda mantém os 70% de mata nativa na propriedade", afirma Barbosa, que tem uma fazenda de 500 hectares, onde produz goiaba e abacaxi e tem criação de pequenos animais.

Mas o agricultor faz coro com quase todos os produtores da região ao dizer que crédito é essencial para permitir que a agropecuária se desenvolva sem que mais destruição aconteça.

"Sem financiamento, fica muito difícil recuperar as terras para plantar ou criar gado de novo, principalmente para nós que vivemos de agricultura familiar", diz.

Descuido
O vice-presidente da Federação de Agricultura do Estado do Pará, Diogo Naves, admite que o descuido com as terras em outras partes do país foi um dos motivos para a enorme chegada de fazendeiros à Amazônia, e principalmente para o sul e sudeste paraenses.

"Eu, por exemplo, sou de Goiás, e minha família sempre teve fazenda lá. Mas as terras ficaram esgotadas e, por isso, as novas fronteiras foram abertas na Amazônia", disse.

"Também o desenvolvimento da agricultura de grãos no Centro-Oeste foi empurrando os pecuaristas cada vez mais ao norte", acrescentou.

Mas Naves diz que hoje em dia é possível evitar que esse mesmo ciclo de exploração-esgotamento-abandono se repita na Amazônia.

"Antigamente, era muito caro para recuperar a terra", afirmou. "Hoje, custa mais ou menos R$ 3 mil por hectare na Amazônia para tratar a terra, mas naquele tempo era pelo menos cinco vezes mais, o que tornava a recuperação inviável."

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