Terminam eleições na Caxemira indiana, marcadas por redução da violência

Diego A. Agúndez.

EFE |

Srinagar (Índia), 24 dez (EFE) - A Caxemira indiana concluiu hoje suas eleições regionais com uma alta participação, em um ambiente marcado por menos violência, uma presença policial em massa e um apelo ao boicote dos separatistas que afetou a capital regional, Srinagar, embora menos que em pleitos anteriores.

A sétima e última fase das eleições, que ocorreu hoje em 21 circunscrições, convocava às urnas 1.638.000 caxemirianos de Srinagar e das áreas do sul, de maioria hindu, que rodeiam a cidade de Jammu, onde a participação foi alta.

Ali, segundo dados da Comissão Eleitoral indiana, 68% dos eleitores foram às urnas, enquanto 20% votaram em Srinagar, onde, nas últimas eleições -também boicotadas-, apenas 5% tinham emitido seu voto.

"Com estes dados, a participação no total das sete fases foi de 61,5%, contra 43% de 2002", disse em entrevista coletiva o chefe da Comissão, B.R. Sharma.

O ligeiro nevoeiro que encobria Srinagar nesta manhã deu lugar a um dia ensolarado, mas a maioria dos eleitores decidiu ficar em casa em um ambiente opressor devido à presença de milhares de membros das forças de segurança.

Os independentistas da Conferência Hurriyat, fortes na cidade, tinham pedido o boicote eleitoral e tinham convocado para hoje uma manifestação que devia partir da Praça Vermelha, no centro, embora os policiais tenham impedido a tentativa separatista.

"Será difícil se manifestar na Praça Vermelha. Todos os acessos estão fechados. Colocaram controles, bloquearam tudo. Está muito claro que o Governo não quer que a manifestação ocorra", afirmou à Agência Efe na véspera o presidente de Hurriyat, Umar Farouk.

Prevendo incidentes, as autoridades tinham decretado nesta terça-feira um toque de recolher na cidade, por isso as ruas amanheceram desertas e com um tráfego muito restrito e submetido a controles.

Ao menos 14 pessoas ficaram feridas em distúrbios registrados em alguns bairros das áreas civis de Srinagar, onde alguns grupos separatistas entraram em choques com os paramilitares, que guardavam fortemente as urnas.

"Não votei. Temos 700 mil soldados em nossa região. Chamam isso de eleições? Nem Paquistão nem Índia têm interesse em resolver o conflito caxemiriano. E quem sofre é o povo", afirmou a Efe um lojista afetado pelo toque de recolher.

Embora a campanha tenha sido marcada pelas promessas de desenvolvimento dos principais candidatos, nos últimos dias também ganharam importância as tensões entre Índia e Paquistão, após os atentados de Mumbai, no fim de novembro.

A Índia atribui esses atentados ao grupo separatista caxemiriano Lashkar-e-Toiba, que opera a partir do Paquistão, o país com o qual disputa - e divide - o território da Caxemira desde a independência e partilha da nação, em 1947.

"Votei porque quero paz. Não quero guerra. Estamos 20 anos em uma guerra que só serviu para nos afundar e nos deixar sem trabalho", afirmou um guia turístico em frente ao Lago Dal, a principal atração da cidade.

A Caxemira está imersa há quase duas décadas em conflito, e, embora nos últimos anos, a situação tenha melhorado, uma disputa pela propriedade de terras de peregrinação gerou uma nova onda de protestos de hindus e muçulmanos que deixou 40 mortos.

Essa renovada tensão fez temer que estas eleições marcariam um retorno à violência, mas, segundo a Comissão Eleitoral, aconteceu exatamente o contrário: cinco civis morreram no pleito, frente aos 63 que faleceram em 2002.

"Estas eleições surpreenderam a muitos pela alta participação e a ausência de violência. Não há temor de represálias por votar. E, além disso, as pessoas querem uma solução para seus problemas do dia-a-dia", disse em entrevista à Efe o candidato da nacionalista Conferência Nacional, Omar Abdullah.

De acordo com Hurriyat, no entanto, a alta participação é fruto de uma fraude nas áreas rurais caxemirianos, onde, disse Farouk, o Exército indiano tem um grande poder e obriga os cidadãos a ir às urnas.

A Comissão Eleitoral indiana, que desmentiu taxativamente essa possibilidade, prevê fazer a apuração dos votos no dia 28; tanto a Conferência Nacional quanto os outros favoritos, o Partido do Congresso e o Partido Democrático Popular, aguardam por isso. EFE daa/db

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