Termina julgamento entre pais de Madeleine e ex-policial luso

Lisboa, 10 fev (EFE).- O ex-inspetor da Polícia portuguesa Gonçalo Amaral e os pais da britânica Madeleine McCann se disseram hoje favoráveis à reabertura do processo sobre o desaparecimento da criança, arquivado em 2008 pela Justiça de Portugal.

EFE |

Amaral admitiu essa possibilidade durante a última sessão do julgamento em que Kate e Gerry McCann o acusam de difamação pela publicação do livro "Maddie - A verdade da Mentira". Nele, o ex-agente vincula os pais com uma possível morte e ocultação do corpo da criança.

Após a audiência final do julgamento, cuja sentença será dada a partir da próxima semana, Amaral anunciou que vai "reagir" e que deseja ser "assistente do processo principal", para o que estudará a forma legal de fazê-lo.

Já Gerry McCann disse à imprensa que não tem "nenhum problema com a reabertura do caso", embora tenha ressaltado "a necessidade de que uma investigação real seja feita".

Os McCann e o ex-inspetor que dirigiu a investigação sobre o desaparecimento da menina, em maio de 2007 em Portugal, participaram hoje do último dia do julgamento, que decidirá sobre a manutenção ou não do veto à publicação do livro de Gonçalo Amaral.

O pai de Madeleine insistiu que continua, junto a mulher, buscando a filha e pediu cooperação.

"Porque é difícil não significa que vamos nos render. Nós não vamos nos render, não há provas de que Madeleine esteja morta", assegurou, enquanto sua mulher pedia a ajuda dos portugueses.

O julgamento, no qual os pais de Madeleine pedem 1,2 milhão de euros (R$ 3,07 milhões) em indenização por calúnias, aconteceu no Tribunal Civil de Lisboa.

O advogado de Amaral, Antonio Cabrita, explicou que o livro conta "a história da investigação" e assegurou que há um DVD das autoridades portuguesas que aprova a versão do ex-policial.

"Talvez o que o livro diga se aproxime perigosamente daquilo que é verdade", acrescentou o advogado, ao assegurar que um detetive britânico também envolveu os McCann no crime.

Por sua vez, Isabel Duarte, advogada dos McCann, acusou Gonçalo Amaral de escrever o livro para "se vingar" do que os jornalistas britânicos disseram sobre ele e por ter sido retirado do caso de forma prematura.

"Houve contribuições diversas sobre o desaparecimento de Madeleine; as da Polícia espanhola, francesa e da Itália", ressaltou Isabel Duarte, que se mostrou decepcionada com o fato de a Polícia Judicial portuguesa não tê-las levado em conta.

Além da proibição da obra, os McCann decidiram durante o julgamento acusar o ex-policial de violação de segredo oficial por revelar fatos da investigação no livro, que estava impresso antes do anúncio do fechamento da causa, em julho de 2008.

O ex-policial, também impedido de defender em público sua teoria sobre Madeleine, pediu durante o julgamento o direito à liberdade de expressão e considerou, em defesa de seu trabalho, que a decisão de fechar o caso "não deixa de ser uma opinião".

"Fui alvo de muitas calúnias, muitas difamações e muitas injúrias", lamentou Amaral, que contou com o apoio de um grupo que o esperava na saída do tribunal.

Madeleine desapareceu em 3 de maio de 2007 quando estava prestes a completar 4 anos. Seus pais, médicos britânicos, organizaram um esquema sem precedentes para buscá-la e arrecadaram milhões de euros em doações.

Em setembro do mesmo ano, deixaram Portugal ao serem declarados suspeitos formais do caso. Os investigadores lusos encontraram vestígios biológicos de Madeleine e pistas da presença de um corpo em objetos pessoais dos pais e em um carro alugado por eles após o desaparecimento da menina.

Quando o caso foi fechado, os McCann, já inocentados, receberam várias indenizações de tablóides britânicos que tinham informado da possível relação dos dois com o desaparecimento de Madeleine. EFE atc/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG