Termina em fiasco passagem da tocha olímpica por Paris

Os manifestantes pró-Tibete perturbaram nesta segunda-feira os portadores da tocha olímpica em Paris, obrigando os organizadores a interromper o percurso e transformando o dia em um verdadeiro fiasco, depois de uma passagem complicada por Londres.

AFP |

Pouco antes das 17H00 (12H00 de Brasília), os organizadores, assediados por militantes desde a saída da Torre Eiffel, jogaram a toalha e decidiram cancelar o restante do percurso, transportando a chama de ônibus até seu local de chegada, o estádio Charléty, no sul da capital.

O percurso foi interrompido perto da Assembléia Nacional, onde cerca de 40 deputados de todos os partidos políticos se manifestaram no recinto do Parlamento aos clamores de "liberdade para o Tibete", entoando em seguida o hino nacional francês.

Julien Dray, porta-voz do Partido Socialista (PS), lamentou que os Jogos Olímpicos de Pequim já tenham se tornado, antes mesmo de começar, "uma farsa sinistra". Já o secretário de estado para os Esportes, Bernard Laporte, limitou-se a lamentar os incidentes. "Teria sido melhor se as coisas tivessem acontecido de outra forma. Os defensores dos direitos humanos não respeitam os outros", criticou.

Uma cerimônia prevista diante do Hotel de Ville, a prefeitura de Paris, foi cancelada a pedido dos chineses, quando deputados acabavam de colocar na fachada do edifício uma faixa da associação Repórteres Sem fronteiras (RSF) mostrando algemas no lugar dos anéis olímpicos, junto com uma bandeira tibetana.

Os militantes da RSF conseguiram colocar suas faixas em três cartões-postais da capital francesa, a Torre Eiffel, a avenida dos Champs-Elysées e a fachada de Notre-Dame de Paris.

Pela primeira vez, o jornal da noite da televisão estatal chinesa mencionou brevemente, sem dar detalhes, os acontecimentos de Paris. Anteriormente, o enviado especial do principal canal da televisão estatal, a CCTV, havia evocado, com imagens da passagem da tocha olímpica em plano de fundo, a "recepção calorosa dos habitantes de Paris, dos chineses de ultramar e dos estudantes chineses". De fato, muitos chineses saudaram a passagem da tocha nas ruas de Paris agitando bandeiras de seu país.

Militantes tentaram várias vezes apagar a chama durante o percurso, mas foram sempre rechaçados pelas forças da ordem que protegiam os portadores. No entanto, os organizadores tiveram que recorrer diversas vezes ao ônibus para transportar a tocha.

Pelo menos 20 pessoas foram detidas. Todas elas já haviam sido liberadas no fim do dia, com exceção de uma, acusada de "violência contra agente da força pública" e "porte de arma".

Pró-tibetanos e pró-chineses se enfrentaram perto do estádio Charléty, constatou um jornalista da AFP. A polícia interveio para apartar os brigões antes que o conflito tomasse maiores proporções.

Nesta segunda-feira, o presidente do Comitê Internacional Olímpico (CIO), Jacques Rogge, lançou a Pequim um apelo para uma resolução pacífica da crise do Tibete, e condenou o uso da violência. "O CIO expressou sua grande preocupação e pediu uma resolução rápida e pacífica da crise no Tibete", declarou.

"Qualquer que seja o motivo, a violência não é compatível com os valores da tocha olímpica ou das Olimpíadas", afirmou Rogge, que deve presidir a partir de quarta-feira em Pequim a comissão executiva do CIO.

O Comitê de Organização dos Jogos Olímpicos de Pequim (Bocog) condenou "firmemente" nesta segunda-feira os incidentes que perturbaram a passagem da tocha olímpica por Londres no domingo, acusando os "separatistas tibetanos".

Um impressionante esquema de segruança, digno da proteção de um chefe de Estado, havia sido instalado em Paris, com nada menos que 3.000 policiais em terra, nos ares e até no rio Sena. A chama era protegida por 65 policiais de moto, 100 policiais de patins e 100 bombeiros.

A tocha deveria inicialmente ser carregada por 80 atletas, num percurso de 28 km.

A chama olímpica deve deixar a França na noite desta segunda-feira rumo a San Francisco, onde um imponente esquema de segurança está sendo preparado.

Três militantes escalaram nesta segunda-feira os cabos da famosa ponte Golden Gate em San Francisco para denunciar a repressão chinesa no Tibete, informou a imprensa local.

Após terem atingido uma boa altura, os três exibiram uma bandeira tibetana e uma faixa com os dizeres "um mundo, um sonho. Tibete livre".

Questionado sobre os incidentes em Paris, o porta-voz do departamento de Estado, Sean McCormack, se absteve de fazer comentários.

bur/yw/sd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG