Termina a campanha à presidência na Colômbia

Antanas Mockus e Juan Manuel Santos fecharam no domingo suas campanhas eleitorais. As eleições na Colômbia acontecem no dia 30

iG São Paulo |

Os candidatos favoritos à presidência da Colômbia, Antanas Mockus e Juan Manuel Santos,encerraram no domingo suas campanhas após a disputa eleitoral mais acirrada das últimas décadas.

Os últimos comícios foram feitos a uma semana das eleições, como determina a legislação eleitoral. Pelos próximos sete dias, os candidatos poderão participar de debates de televisão, mas não realizar atos públicos.

Devido às fortes chuvas, especialmente em Bogotá, Mockus iniciou com mais de duas horas de atraso seu ato político na Praça de Bolívar. No entanto, milhares de simpatizantes chegaram a pé ou de bicicleta com guarda-chuvas e camisetas verdes, a cor que simbolizou sua campanha. Do palanque, o candidato do Partido Verde, transformado na revelação desta disputa com uma proposta baseada na legalidade e na educação, pediu união e confiança entre os cidadãos para mudar o rumo e transformar a Colômbia em um país "poderoso".

"Algum dia três colombianos quaisquer confiarão entre si, como já estamos confiando todos os que aqui estamos. Que essa confiança reine e permita à Colômbia ser um país extremamente poderoso", disse à multidão. Afirmou ainda que confiança gera comunicação, transparência e sinceridade, e faz com que a "violência se torne obsoleta". Mockus disse também que espera que o país, imerso em um conflito armado interno há meio século, não enfrente mais esse tipo de problema dentro de 20 anos.

AP
Antanas Mockus discursa durante seu último comício em Bogotá, capital da Colômbia

Juan Manuel Santos

Santos, por seu lado, fechou a campanha na caribenha Cartagena de Indias com um grande show no qual participaram cantores e onde apostou em uma mudança social que permita gerar emprego e oportunidades de educação para os colombianos. "Aqui prestei meu serviço militar, aprendi a dançar (...) tenho grandes lembranças de Cartagena", disse Santos, ao assegurar que a região do Caribe será a que lhe dará "a diferença na vitória do dia 30 de maio".

Segundo as últimas pesquisas, Santos e Mockus estão empatados nas intenções de voto e ambos disputariam a presidência da Colômbia em um segundo turno previsto para o dia 20 de junho.

Santos prometeu que, se ganhar as eleições, seu governo criará 2,5 milhões de empregos e serão formalizados outros 500 mil, que hoje são informais. Além disso, disse que se fortalecerão os recursos para a educação, infância e serão financiados programas de competitividade e desenvolvimento tecnológico.

Reuters
Juan Manuel Santos discursa em Cartagena, na Colômbia, no último dia de comícios

Já a conservadora Noemí Sanín terminou sua campanha em Soacha, localidade vizinha de Bogotá e lar de milhares de deslocados do conflito e emblemático cenário do escândalo dos "falsos positivos", as execuções extrajudiciais praticadas pelo Exército. Sem nenhuma possibilidade de chegar ao segundo turno, Noemí disse, sob chuva torrencial, que brigará "por ser a primeira mulher presidente" da Colômbia e que seu governo, se ganhar as eleições, velará pelos direitos humanos.

Esta campanha foi marcada pela incerteza, já que há apenas três meses ninguém apostava que Mockus e Santos fossem ser os finalistas da disputa, tendo em vista que todos os olhos apontavam para a reeleição do presidente, Álvaro Uribe. Uma vez que a Corte Constitucional impediu que Uribe fosse candidato pela terceira vez consecutiva, Santos se consolidou como líder até que Mockus irrompeu inesperadamente na disputa, apoiado pelas redes sociais da internet e por sua decisão de pedir ao ex-prefeito de Medellín Sergio Fajardo que fosse seu candidato à vice-presidência.

"Esta campanha além de apaixonante tem elementos que a tornaram exemplar", assegurou Mockus este domingo a revista "Semana" em artigo no qual analisou o processo eleitoral, e no qual afirma que "ninguém se atreve a fazer apostas sérias sobre quem vai ser o próximo presidente da Colômbia". De acordo com o periódico, a corrida pela Presidência colombiana se encontra perante "uma verdadeira festa democrática", devido à diversidade de candidatos, que expuseram ideias e programas sem violência eleitoral.

* Com EFE

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