Elías L. Benarroch.

Nazaré, 25 dez (EFE).- Em Nazaré, assim como em Belém, outra cidade da Terra Santa ligada ao nascimento de Jesus, os cristãos vivem o Natal na esperança de que os peregrinos não se esqueçam deles e em meio a tensões com seus vizinhos muçulmanos.

Cenário do anúncio do arcanjo Gabriel a Maria de ela que ficaria grávida do filho de Deus, Nazaré tem um ambiente tranquilo que contrasta com a agitação de Belém, onde são constantes as viagens e os ônibus turísticos.

"Nesta época por aqui está tudo muito tranquilo, esperamos um aumento no turismo talvez depois do Natal, porque agora estão todos em Belém", disse à Agência Efe Susana Mazzawi, funcionária de uma loja de lembranças perto da Basílica da Anunciação.

Segundo a vendedora, os primeiros turistas começarão a chegar em massa entre 26 e 27 de dezembro, embora a agitação em Nazaré dure apenas algumas semanas e depois volte à temporada baixa até o final de março, quando é lembrada a Anunciação.

Construída em 1969 sobre o lugar onde havia uma igreja, a Basílica é uma moderna estrutura de pedra bege coroada com uma cúpula cinza de 55 metros.

Foi erguida sobre a chamada Gruta da Anunciação, a caverna na qual Maria recebeu o arcanjo Gabriel, segundo o catolicismo.

Ao redor da Basílica, na parte antiga de Nazaré, estão localizadas dezenas de instituições religiosas e escolares cristãs, além de lojas de lembranças para turistas de qualquer religião.

Como se não existisse o conflito de Oriente de Meio, na loja de Susana convivem pacificamente bandeiras israelenses e palestinas, quipás judeus com lenços típicos árabes e símbolos palestinos, rosários cristãos com árabes, bíblias com alcorões.

No entanto, a convivência pacífica parece ser quebrada nas ruas de Nazaré, onde a origem palestina de sua população não apaga velhas tensões entre cristãos e muçulmanos, embora as duas comunidades compartilhem o receio diante do Governo judeu de Israel.

"A tensão é diária e nos últimos dez anos a situação piorou", disse à Efe um jovem empresário que pediu para não ser identificado.

Nazaré, conhecida como a "capital árabe de Israel" e que tem cerca de 66 mil habitantes, sempre foi de maioria cristã, mas nas últimas décadas sua população muçulmana cresceu até superar a que segue o cristianismo.

A mudança demográfica começou depois da guerra de 1948, quando o Estado de Israel tomou o controle da região de Nazaré e deslocou os muçulmanos de seus arredores, tanto palestinos quanto cristãos.

Há alguns anos, a comunidade islâmica tentou construir uma grande mesquita sobre o local considerado o túmulo de Shihab Eddin, guerreiro de Saladino, situada justo aos pés da Basílica da Anunciação.

A polêmica internacional e a ruim mediação do Governo israelense - que ficou encurralado entre os interesses do cristianismo, do islamismo e de seus próprios - esquentou os ânimos de um conflito social e religioso que, segundo moradores de Nazaré, "explode por qualquer lado e a qualquer momento".

"Viver aqui, como minoria, é um perigo permanente para nós", assegura uma acompanhante do jovem empresário, que acusa o Governo israelense de aproveitar-se do conflito em Nazaré para seus próprios fins políticos. EFE elb/pd

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