Tensões entre China e Taiwan ressurgem após período de aproximação

Taipé, 18 jul (EFE).- As tensões políticas entre Taipé e Pequim, enterradas pelas bem-sucedidas negociações para estabelecer vôos diretos e intensificar os contatos turísticos e econômicos, começam a ressurgir por diferentes motivos, alguns deles relacionados com os Jogos Olímpicos.

EFE |

O Escritório Presidencial de Taiwan lamentou hoje a tentativa chinesa de mudar o nome olímpico da ilha, do ambíguo "Zhonghua Taibei" (Taipé chinês) para "Zhongguo Taibei" (China, Taipé), que denotaria uma maior subordinação a Pequim.

Taiwan também reagiu a declarações americanas nas quais o país afirmava que "não via necessidade urgente de vender armas à ilha", e pediu a Washington para que não interrompa o fornecimento até que Pequim renuncie ao uso da força.

O comandante das forças americanas no Pacífico, Timothy Keating, disse em Washington que não havia "necessidade urgente" de vender armas a Taiwan perante a pequena probabilidade de um conflito com a China.

"Taiwan espera que os planos de fornecimento de armas americanas sigam seu curso", disse o porta-voz presidencial, Wang Yu-chi.

O Governo do presidente Ma Ying-jeou, empenhado em uma aproximação social e econômica com a China, atravessa uma forte crise perante a deterioração da economia de ilha, afetada pela desaceleração mundial.

Os esperados benefícios econômicos derivados da aproximação com a China demoram a se materializar, com baixos fluxos de turistas que chegam em números muito inferiores aos 3 mil diários previstos.

A oposição pediu a Ma que negocie um pacto de proteção dos investimentos taiuaneses na China, declarou o diretor do departamento internacional do Partido Democrata Progressista (PDP), Lin Cheng-wei.

O PDP se opõe frontalmente às medidas liberalizantes do Governo a respeito dos investimentos na China, e adverte que podem levar à desindustrialização da ilha e à "total dependência de um inimigo político".

Taipé e Pequim acertaram, em 13 de junho, em Pequim, a liberalização dos vôos diretos nos fins-de-semana e a chegada de turistas chineses à ilha, acordo que foi interpretado como o início de uma aproximação entre as duas partes.

A China não renuncia ao uso da força para conseguir a unificação com a ilha.

Taiwan e China se separaram em 1949, no final de uma guerra civil na qual o governo nacionalista chinês foi derrotado pelos comunistas e se refugiou na ilha. EFE flp/gs

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