Tensão toma conta do Tibete durante comemoração do Ano Novo

Pequim, 25 fev (EFE).- O Tibete voltou a ser palco hoje de tensões com o início da comemoração do Ano Novo Tibetano (Losar), em meio a apelos provenientes do exílio para que as celebrações sejam boicotadas e a pressões de Pequim para que a festa aconteça de forma normal na região, que continua fechada para a imprensa estrangeira.

EFE |

Organizações independentistas tibetanas e partidárias do Dalai Lama, líder espiritual e político no exílio, pediram aos tibetanos que não comemorem esta festividade este ano em protesto pelos incidentes de março de 2008, nos quais revoltas violentas em Lhasa, capital regional, foram reprimidas pela Polícia chinesa.

Esta iniciativa também foi convocada por respeito às vítimas do terremoto de maio do ano passado, que deixou mortas milhares de pessoas de etnias como a chinesa, a tibetana e a qiang, entre outras.

"Este ano (o Losar) deve ser considerado como um dia de reza em memória dos tibetanos que morreram e daqueles que ainda sofrem sob o domínio chinês", declarou um dos porta-vozes do Dalai Lama - Tenzin Taklha - para a imprensa estrangeira .

Os Estudantes por um Tibete Livre, por outro lado, anunciaram hoje a realização de vigílias e protestos em cidades de todo o mundo para expressarem solidariedade "aos tibetanos que cancelaram as celebrações para homenagearem as vítimas".

No outro lado, o regime comunista chinês se esforça para dar uma imagem de normalidade no planalto tibetana e sua TV estatal mostra nos últimos dias imagens da população de Lhasa "realizando preparativos para saudar o Ano Novo Tibetano com alegria".

A emissora "CFTV", um dos poucos veículos de comunicação que estes dias tem acesso ao Tibete, mostra imagens do mercado próximo ao mosteiro de Jokhang, onde são vendidos adornos com forma de touro e bois, pois para os tibetanos, como para os chineses, este novo ano está marcado por este animal.

Inclusive foi preparada uma grande festa televisiva na capital tibetana, enquanto em Pequim foram organizadas exposições fotográficas e apresentações de música e dança para lembrar o início do ano.

"Depende de cada um celebrar ou não a festa. Em algumas famílias, se um parente morreu, é tradicional não fazer isto. Porém, acho que a maioria vai comemorá-lo", declarou hoje em Pequim em entrevista coletiva Luorong Zhandui, analista do Centro de Tibetologia da China.

Um turista espanhol que hoje visitou o distrito tibetano de Shangri-la, na província sudoeste chinesa de Yunnan e morador do Tibete, declarou à Agência Efe que alguns dos tibetanos decidiram festejar o novo ano "na intimidade" e declarou que não se nota uma presença especial de forças de segurança chinesas.

A origem das diferenças dos dois lados na hora de celebrar ou não o Losar está nos incidentes do ano passado, quando algumas manifestações de monges tibetanos para recordar a tentativa fracassada de golpe do Dalai Lama contra o poder chinês (1959) tornaram-se violentas.

Os exilados tibetanos dizem que os protestos foram em princípio "pacíficas" e que a repressão policial posterior produziu pelo menos 140 mortos (outras fontes falam de 200), o que faz com que peçam a libertação de cerca de mil de detidos.

O Governo chinês afirma que os revoltosos deixaram 19 mortos (18 civis e um policial) e não falam de vítimas fatais da ação policial e militar posterior, mas admitem que cerca de 80 dos participantes dos protestos foram detidos, julgados e condenados.

O Tibete e outras regiões chinesas com população tibetana estão estes dias fechadas para a imprensa estrangeira, apesar de neste mês o Governo chinês ter convidado um seleto grupo de repórteres estrangeiros para visitar Lhasa. EFE abc/fal

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