Tensão entre Otan e Rússia aumenta e complica melhora na relação

BRUXELAS - As manobras da aliança previstas na Geórgia e a expulsão de dois diplomatas russo por suposta espionagem fizeram as tensões entre a Rússia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Esses fatos minaram o processo de retomada das relações bilaterais que vinham acontecendo.

Redação com agências internacionais |


O chanceler russo, Serguei Lavrov, anunciou nesta terça-feira que não irá à reunião do Conselho Otan-Rússia que estava prevista para 18 e 19 de maio, em Bruxelas.

Seria o primeiro encontro de ministros desde que os aliados congelaram o Conselho Otan-Rússia devido ao conflito na Geórgia, que desencadeou na proclamação de independência de Abkházia e Ossétia do Sul em agosto passado.

O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, lamentou a decisão de Lavrov e expressou sua confiança em poder encontrar outra data para o conselho "em breve".

A Rússia também não irá ao encontro de chefes de Estado-Maior de países da Otan e associados, que será realizada nesta quarta e quinta-feira.

Em ambos os casos, o motivo alegado são as manobras que a Otan fará entre esta quarta e 6 de junho nos arredores de Tbilisi.

A Otan convidou a Rússia e outros países com os quais colabora a participar desses exercícios, que já estavam programados há um ano.

Porém, o presidente russo, Dmitri Medvedev, advertiu que "onde recentemente houve guerra não foram feitas manobras", qualificou-as de "provocação descarada" e ordenou o aumento de sua presença militar na Abkházia e na Ossétia do Sul.

Agravantes

Reuters

Tanques andam pela estrada após debelar motim em quartel

Nesta terça-feira, a Geórgia enviou tanques para debelar uma rebelião em um quartel nos arredores da capital Tbilisi. O governo de Mikhail Saakashvilin acusou a Rússia de financiar um golpe, mas Moscou negou envolvimento.

Além disso, na quinta-feira passada Otan expulsou dois diplomatas russos em represália pelo caso de espionagem no qual um ex-dirigente da Estônia foi condenado por ter passado a Moscou segredos da Otan.

Os diplomatas, entre eles o filho do embaixador russo na União Europeia (UE), Vladimir Chizhov, são acusados de terem agido como agentes de inteligência, segundo o jornal "Financial Times".

Esse foi outro dos motivos que fez Lavrov adiar por tempo indeterminado a reunião com os ministros de Assuntos Exteriores da Otan.

A Rússia nega qualquer envolvimento com tarefas de espionagem dos dois diplomatas. No entanto, a Aliança Atlântica vinculou com o caso de um alto funcionário da Estônia que, em fevereiro passado, foi condenado a 12 anos de prisão em seu país por dar informação secreta a serviços de espionagem russos.

Apesar de tudo, o embaixador da Rússia perante a Otan, Dmitri Rogozin, assegurou nesta terça-feira que Moscou não romperá relações diplomáticas com a Aliança Atlântica.


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