Tegucigalpa, 2 ago (EFE).- A tensão em Honduras começa a diminuir com a progressiva abertura das estradas após cinco semanas de bloqueios por parte dos seguidores de Manuel Zelaya, tirado da Presidência do país por um golpe militar no fim de junho.

Em Tegucigalpa, aproximadamente 200 simpatizantes de Zelaya, agrupados na Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado, acompanharam hoje o sepultamento do professor Roger Vallejo, que morreu depois de ser atingido por um tiro na cabeça durante um protesto realizado quinta-feira na capital.

Outro professor, Martín Rivera, foi morto a punhaladas, também em Tegucigalpa, após deixar o velório de Vallejo. Porém, as circunstâncias desta segunda morte ainda não foram esclarecidas.

Até agora, quatro seguidores de Zelaya morreram em manifestações contra os golpistas: dois em 5 de julho, um no dia 25 e Vallejo.

A Frente de Resistência anunciou neste domingo que, a partir de quarta-feira, várias marchas sairão de vários pontos do país em direção a Tegucigalpa e a San Pedro Sula (norte), segunda cidade hondurenha em importância.

No resto do país, um grupo de camponeses bloqueou hoje uma estrada perto de Trujillo, no departamento de Colón (Caribe), a cerca de 575 quilômetros de Tegucigalpa, confirmou à Agência Efe uma fonte da Polícia.

Marvin Ponce, deputado da Unificação Democrática (UD), partido nanico que apoia Zelaya, afirmou à Efe que também havia bloqueios em estradas próximas a San Pedro Sula e a Santa Rosa de Copán (oeste), o que foi negado pela Polícia e por empresas de transporte que operam nas duas regiões.

Ponce também disse que hoje houve manifestações nas cidades de La Ceiba e El Progreso, no norte do país.

Já o porta-voz da Polícia Nacional, Orlín Cerrato, garantiu à Efe que no sábado apenas um bloqueio foi registrado nas estradas federais. O número é bem menor que o de sete ou oito barricadas montadas no sábado retrasado e o de 14 registrado na última quinta-feira.

Nesse dia, as autoridades deixaram a passividade de lado ao lidar com os bloqueios promovidos pelos simpatizantes de Zelaya desde que este foi expulso do país pelo Exército e destituído pelo Congresso, que colocou em seu lugar Roberto Micheletti.

Isso, unido à suspensão do toque de recolher em todo o país - menos em algumas regiões da fronteira com a Nicarágua, onde Zelaya está instalado desde 25 de julho -, ajudou a trazer certa normalidade à situação em Honduras.

O ministro de Segurança interino, Mario Perdomo, reafirmou hoje à imprensa que a Polícia foi "extremamente tolerante" em relação aos protestos, mas que atuará com "firmeza" se for necessário.

"A ocupação de estradas, instalações privadas ou instituições do Estado não será mais tolerada", destacou.

O funcionário disse ainda que a Polícia tomou todas "as precauções" quanto a possíveis situações na fronteira, onde, no lado nicaraguense, simpatizantes de Zelaya são treinados para fazer parte de um "Exército pacífico", segundo o presidente derrubado.

A esse respeito, Perdomo declarou que "há muita desinformação, muitas manobras enganosas". Por isso, pediu à população hondurenha que vive na fronteira que "não se deixe surpreender por situações que podem não estar acontecendo".

Os bloqueios nas estradas comprometeram a economia do país, segundo diferentes setores, embora não haja números globais sobre o prejuízo causado pelos protestos.

O porta-voz da Câmara de Comércio e Indústrias de Tegucigalpa, Obdulio Hernández, afirmou hoje que as perdas no comércio, na indústria e no turismo, assim como os prejuízos causados por atos de vandalismo durante as manifestações na capital, chegaram a "3,5 bilhões de lempiras" (US$ 184 milhões).

O presidente do Conselho Nacional do Transporte, Jorge López, afirmou esta semana que "os volumes de operação do setor caíram até 15%" em razão dos conflitos. EFE lam/sc

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