Tensão diplomática entre Colômbia e Venezuela volta a aumentar

Caracas, 29 jul (EFE).- A tensão volta a marcar as relações entre Venezuela e Colômbia, após a decisão do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de tirar seus funcionários de Bogotá e congelar o comércio, embora o vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizalez, tenha dito hoje que, por enquanto, a fronteira segue aberta.

EFE |

"As diretrizes foram dadas muito claras pelo presidente quando anunciou o congelamento, a revisão de todos os setores, mas não foi emitida qualquer instrução para fechar as fronteiras (...); por enquanto, a situação toda está sendo avaliada", afirmou Carrizalez.

Esta foi a resposta de Chávez na terça-feira à noite às "irresponsáveis" acusações colombianas sobre o suposto desvio de armas que a Venezuela comprou da Suécia em 1988 e as quais o Governo colombiano disse ter encontrado em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O assunto serviu de estopim de uma nova crise incubada com o anúncio prévio da Colômbia de que negocia com os Estados Unidos o uso de bases militares no país por soldados americanos, o que foi condenado reiteradamente nas duas últimas semanas por Chávez.

Além de ordenar o congelamento do comércio e a retirada dos funcionários diplomáticos, o presidente disse que romperá definitivamente os laços com a Colômbia perante uma eventual "próxima declaração verbal" de parte do Executivo de Álvaro Uribe que signifique uma "nova agressão".

O vice-presidente venezuelano voltou a negar que o Governo de Chávez forneça armamento a grupos irregulares, mas assegurou que atuará "sem contemplações" se descobrir que "alguém" tenha feito isso, dentro ou fora das Forças Armadas nacionais.

"Se descobrirmos que alguém está traficando de alguma maneira ou tem relação de alguma maneira (com grupos irregulares colombianos), nós atuaremos", disse Carrizales perto da fronteira colombiana.

O conflito interno colombiano transbordou para a Venezuela com ataques de guerrilheiros a postos militares nacionais, que deixaram não somente soldados mortos, mas o "extravio" das Forças Armadas do país, explicou.

O vice, porém, ressaltou que é preciso ser "bem cínico, cara de pau, para acusar de uma vez o Governo venezuelano", quando "o certo deveria ter sido" que a Colômbia informasse à Venezuela sobre essa investigação.

A ruptura definitiva com a Colômbia incluiria, antecipou Chávez, a desapropriação de empresas colombianas na Venezuela, uma ameaça que já fez em março de 2008, no meio de outra crise originada por um ataque colombiano às Farc em território equatoriano.

Dirigentes da oposição da Venezuela disseram que Chávez sempre age desta forma para tentar esconder problemas locais.

"É um pano vermelho" que lançou "para que não nos ocupemos dos problemas do país", disse o deputado Juan José Molina, do partido de oposição Podemos (PP).

Na realidade, insistiu Molina, a crise é "uma estratégia" de Chávez para desviar a atenção de problemas sem solução "no socialismo" e porque deseja assumir uma posição na crise que paralelamente opõe Equador e Colômbia.

O papel que "o império" (Estados Unidos) atribuiu a Israel e à Colômbia explica "tanta afinidade" entre estes países, acrescentou Chávez, após afirmar que foi por isso que o presidente equatoriano, Rafael Correa, advertiu adotar ações militares contra futuras agressões colombianas.

Esta semana Correa ameaçou responder militarmente a Colômbia se o país voltar a atacar o Equador, como aconteceu em março de 2008, quando militares colombianos violaram a fronteira em uma operação contra um grupo guerrilheiro colombiano.

"É preciso apoiar o Equador; as agressões da Colômbia contra o Equador não são da Colômbia, são do império (...); as agressões da Colômbia contra a Venezuela (...) não só são do Governo da burguesia que tem em suas mãos o Estado colombiano", mas também "do império americano", ressaltou Chávez.

Henry Ramos Allup, secretário-geral do também opositor partido Ação Democrática (AD), disse que, independente do que Chávez decidir, mesmo se cumprir sua advertência de romper as relações diplomáticas e comerciais com a Colômbia, não conseguirá desativar "uma fronteira viva".

ar/db

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