O Afeganistão se encontrava sob alta tensão nesta quarta-feira, véspera das eleições, com novos ataques rebeldes que fazem temer uma forte abstenção, o que o governo tenta evitar proibindo a imprensa de noticiar sobre a violência que abala o país.

As forças de segurança afegãs e estrangeiras estão em estado de alerta, multiplicando os controles, na véspera de eleições que os talibãs buscam perturbar a todo custo, oito anos depois de sua expulsão do poder por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

Quase 300.000 homens das forças de segurança (200.000 policiais e soldados afegãos e 100.000 soldados estrangeiros) serão encarregados de proteger os 17 milhões de afegãos inscritos nas listas eleitorais.

Cabul despertou nesta quarta-feira com um novo ataque reivindicado pelos talibãs, desta vez contra um banco do centro da capital.

Os três agressores foram mortos pela polícia após um tiroteio de quase duas horas.

O dia escolhido, o alvo (um banco público recém-aberto), a ausência de uma importante quantia em dinheiro e a natureza suicida do ataque parecem mostrar que se trata, de fato, de um atentado talibã.

No resto do país, 21 pessoas, entre elas cinco civis, um governador de distrito, um chefe tribal e quatro policiais, morreram nesta quarta-feira em explosões e combates no sul e no leste do país, informaram as autoridades.

Além disso, três soldados americanos da Otan foram mortos terça-feira por rebeldes no sul, segundo a força da Otan, que vai suspender suas ofensivas na quinta-feira para se concentrar na segurança das eleições.

De acordo com a Comissão Eleitoral afegã, quase 12% dos 7.000 colégios eleitorais podem ficar fechados no dia da eleição, por causa da insegurança.

Os talibãs ameaçaram atacar os centros de votação na quinta-feira, qualificando as eleições de "impostura organizada pelos Estados Unidos".

O objetivo dos insurgentes é assustar os eleitores e favorecer uma forte abstenção, que desacreditaria as eleições.

Para evitar este cenário, o governo afegão proibiu a imprensa de falar sobre a violência na quinta-feira.

Nesta quarta-feira, as autoridades chegaram a ameaçar expulsar os jornalistas internacionais e fechar os meios de comunicação locais que não respeitariam a proibição. Várias vozes se elevaram para denunciar uma tentativa de censura.

Em um país devastado por mais de 30 anos de guerra e de tradição pouco democrática, possíveis compras de votos, manipulações das listas eleitorais e pressões diversas ameaçam a credibilidade da votação.

Os eleitores vão escolher entre 41 candidatos à presidência e 3.196 candidatos às 420 cadeiras de vereadores.

Levado ao poder por esta coalizão no fim de 2001, Hamid Karzai, eleito em 2004, continua sendo o favorito da eleição presidencial, diante de seu ex-chanceler Abdullah Abdullah que poderia, segundo analistas, forçar a realização de um segundo turno.

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