Tensão aumenta entre UE a China após execução de cientista chinês

A tensão está aumentando entre a União Européia (UE) e a China: dois dias após o adiamento de uma cúpula UE-China, os europeus condenaram nesta sexta-feira a execução por espionagem de um cientista chinês.

AFP |

"A UE condena com a maior firmeza a execução de Wo Weihan. Lamenta profundamente que a China não tenha ouuvido seus repetidos apelos para anular a condenação" do cientista, declarou a UE em comunicado.

"A UE está indignada com esta execução, que acontece logo depois do término, em Pequim, do diálogo UE-China sobre os direitos humanos, durante o qual a UE havia reiterado sua firme oposição à pena de morte e havia novamente mencionado o caso de Wo Weihan, pedindo sua absolvição", acrescentou.

"Esta execução abala seriamente o espírito de confiança e o respeito mútuo que devem prevalecer neste diálogo UE-China sobre os direitos humanos", prosseguiu.

A UE também expressou "solidariedade" a Viena.

A Áustria, onde Wo Weihan morou entre 1990 e 1997 (as duas filhas do cientista têm a nacionalidade austríaca) declarara mais cedo que esta execução constituía uma "afronta premeditada" de Pequim à UE.

O bioquímico, que clamava inocência, fora condenado à morte em maio de 2007 por divulgação de segredos de Estado, ao término de um processo duvidoso, segundo várias ONG e a família do cientista.

As relações entre UE e China se deterioraram subitamente na quarta-feira, quando Pequim, em uma atitude sem precedentes, adiou a cúpula com a UE prevista para o dia 1 de dezembro em Lyon, na França.

O governo chinês queria desta forma protestar contra um encontro entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o Dalai Lama, previsto para 6 de dezembro na Polônia.

A França exerce atualmente a presidência rotativa da UE, e por isso devia ser a anfitriã da cúpula de 1 de dezembro.

O encontro não foi reprogramado. As cúpulas UE-China acontecem todos os anos, alternadamente na China e no país assumindo a presidência da UE.

A China sempre se opôs aos contatos entre dirigentes estrangeiros e o Dalai Lama, que acusa de promover a independência do Tibete.

O Dalai Lama, Prêmio Nobel da Paz 1989, deve viajar à Polônia e depois à Bélgica e à República Tcheca, país que sucederá à França na presidência da UE no dia 1 de janeiro.

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