Tensão aumenta entre policiais e opositores tailandeses nos aeroportos

Bangcoc - Os manifestantes contrários ao governo na Tailândia estavam neste sábado se organizando para manter o sítio dos dois aeroportos de Bangcoc, em meio a um aumento da tensão com os policiais. Mais de 100 passageiros foram prejudicados.

AFP |

O principal aeroporto internacional do país, o Suvarnabhumi de Bangcoc, permanecerá fechado por pelo menos mais dois dias, anunciaram neste sábado as autoridades aeroportuárias.

"Nenhum vôo poderá pousar ou decolar em Suvarnabhumi nas próximas 48 horas, até pelo menos o dia 1 de dezembro às 18h0 (9h de Brasília)", advertiu o diretor do aeroporto, Saereerat Prasutanont.

AP
Cerca de 2 mil pessoas participam de protesto em aeroporto

Além disso, o vice-primeiro-ministro tailandês, Olarn Chaiprawat, avisou que o repatriamento das dezenas de milhares de passageiros estrangeiros bloqueados no país poderá levar "um mês".

"A operação para ajudar passageiros a voltarem para seus países de origem poderá demorar cerca de um mês, a partir de agora", declarou o vice-premier neste sábado durante uma entrevista coletiva.

A situação ficou mais tensa na manhã deste sábado perto de Suvarnabhumi, onde manifestantes da Aliança do Povo pela Democracia (PAD) ergueram barricadas com pneus e arame farpado.

Centenas de opositores que queriam se juntar aos manifestantes no aeroporto conseguiram forçar uma barreira policial. Na confusão, um oficial de polícia foi feito refém, antes de ser libertado, segundo testemunhas.

A televisão mostrou imagens de policiais revistando veículos e apreendendo tacos de golfe e facões. Uma enfermaria foi instalada, e alimentos e bebidas estavam sendo estocadas pelos manifestantes.

Os opositores rejeitam qualquer negociação, e exigem como condição ao fim do sítio a renúncia do primeiro-ministro, Somchai Wongsawat.

O fundador da PAD, Sondhi Limthongkul, pediu a seus partidários que mantenham suas posições.

"Estou disposto a morrer em nome deste combate pela dignidade", afirmou Limthongkul à rede de televisão por satélite ASTV, da qual é o proprietário.

De acordo com a polícia, 3.000 manifestantes estavam na manhã deste sábado em Suvarnabhumi, cerca de mil no aeroporto para vôos domésticos de Don Mueang, e 700 na sede do governo em Bangcoc, ocupada desde o dia 26 de agosto.

Os manifestantes ignoraram até agora as advertências emitidas pelos policiais sobre um eventual recurso à força.

Os opositores da PAD juraramm derrubar o primeiro-ministro eleito, que qualificam de "tirano corrupto". Eles o acusam principalmente de ser o pau-mandado do ex-primeiro-ministro no exílio Thaksin Shinawatra, que é justamente seu cunhado.

Thaksin, ainda muito popular nas áreas rurais do norte do país, advertiu contra uma explosão da violência no caso de um novo golpe militar. O ex-premier tailandês fora derrubado por um golpe de Estado militar em 2006.

"Se houver um golpe de Estado, haverá uma onda de violência. Não será um golpe fácil como no passado, porque a população tailandesa está passando por muitos problemas", afirmou Thaksin em entrevista concedida ao jornalista americano Thomas Crampton.

Thaksin, que estava em Hong Kong, acusou alguns dirigentes do Exército de não respeitarem os resultados das legislativas de 2007, vencidas por seus tenentes e que acabaram com 15 meses de governo militar.

Um dirigente pró-governo convocou para este domingo uma gigantesca contra-manifestação perto da sede do governo, fazendo temer enfrentamentos de grandes proporções com os manifestantes da oposição.

O chefe do Exército, o general Anupong Paojinda, declarou esta semana que é contrário ao uso da força contra a PAD. Ele teria tido uma discussão acalorada sobre o assunto com Somchai, atualmente em Chiang Mai (800 km ao norte de Bangcoc).

A PAD ocupou esta semana os dois aeroportos de Bangcoc, bloqueando dezenas de milhares de turistas e provocando perdas financeiras astronômicas para o país.

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