Kathy Seleme. Beirute, 8 jan (EFE).- Um grupo desconhecido lançou hoje vários foguetes do sul do Líbano contra o norte de Israel, em um ataque isolado que, no entanto, elevou a tensão regional pelos combates na faixa de Gaza.

Fontes dos serviços de segurança libaneses confirmaram à Agência Efe que dois ou três foguetes Katyusha foram lançados do norte do povoado de Nakura, que está controlada pelo Exército libanês e pela Força Interina da ONU para o Líbano (Finul).

O lançamento foi confirmado em comunicado pelo Exército libanês, que atribuiu a autoria a "um grupo desconhecido".

Por sua parte, o Exército israelense respondeu com o lançamento de cinco projéteis contra o sul do Líbano, sem que houvesse informação sobre vítimas.

Além disso, responsabilizou "elementos palestinos interessados em levar o Líbano a uma guerra com Israel" pelo lançamento esta manhã de três foguetes contra a Galiléia, segundo indicou à Efe um porta-voz militar.

Israel informou que um dos foguetes feriu duas pessoas ao cair no teto de um asilo de idosos.

Este lançamento de foguetes de hoje foi o primeiro registrado na região desde que forças israelenses começaram a atacar a faixa de Gaza, cerca de 200 quilômetros ao sul, em 27 de dezembro.

Logo após ele, as autoridades libanesas começaram uma investigação para identificar os responsáveis, e as suspeitas apontam a grupos palestinos assentados no sul do país.

Um deles, a Frente Popular para a Libertação da Palestina-Comando Geral (FPLP-CG), não confirmou nem negou a autoria do disparo desses foguetes.

"Não confirmo nem nego o lançamento de foguetes, mas quero dizer que Israel não tem direito a perguntar sobre a origem dos foguetes", disse o porta-voz oficial da FPLP-CG, Anwar Raia, à emissora de TV "Al Jazira", com sede no Catar.

"Quem puder lançar uma pedra contra a 'ocupação' (referindo-se a Israel) deve fazê-lo", insuflou Raia.

Em princípio, segundo fontes políticas, está descartada a possibilidade que o grupo radical xiita libanês Hisbolá esteja envolvido neste ataque.

Em 2006, o Hisbolá travou uma guerra contra Israel que causou 1.200 mortos libaneses e 160 israelenses.

"Posso afirmar que não foi nem o Hisbolá, nem Amal nem nenhum grupo libanês", disse à agência Efe Ali Hamedan, porta-voz do presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, que pertence ao grupo xiita Amal, aliado do Hisbolá.

Hamedan assegurou que esperam o resultado das investigações do Exército e da Finul, mobilizada no sul do país, para evitar um aumento da violência entre Líbano e Israel.

"Ninguém aceita o que aconteceu, não por proteger Israel, mas para preservar o Líbano, sua estabilidade e sua segurança", acrescentou.

O chefe do Hisbolá, Hassan Nasrallah, advertiu ontem que deixou abertas "todas as possibilidades" para responder a "qualquer agressão", se Israel decidir abrir uma nova frente no norte, na fronteira com o Líbano.

Nasrallah, no entanto, não especificou se seu grupo estaria disposto a atacar Israel a fim de aliviar a pressão militar israelense contra Gaza.

Por sua parte, porta-vozes do Hamas negaram também qualquer relação com este fato e, em declarações a emissoras libanesas, disseram que sua luta "acontece dentro da palestina".

Na área de onde foram jogados os foguetes há grupos palestinos supostamente vinculados à rede terrorista Al Qaeda.

Recentemente foram achados ali diversos foguetes "Katyusha", mas o Hisbolá negou ter relação com esse material de guerra.

Logo após o lançamento dos foguetes do território libanês, aviões de guerra israelenses penetraram no espaço aéreo libanês.

Por sua parte, o destacamento da Finul, cuja missão é evitar uma alta da violência entre Israel e Líbano, intensificou suas patrulhas na área.

A Espanha, que tem 1.100 soldados neste destacamento, informou de Madri que o contingente está calmo.

Segundo o Ministério de Defesa espanhol, Jean Ogassapian, as medidas de segurança seguem "altas, como sempre", sem que se tenha decretado por enquanto um nível de máximo alerta.

"As autoridades libanesas reconheceram a gravidade do incidente de hoje. Trata-se de um episódio perigoso", afirmou o ministro, em declarações à televisão.

Por sua parte, o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, afirmou que o Líbano segue comprometido com as resoluções da ONU e rejeita que seu território volte a se transformar em um campo de batalha.

Siniora insistiu em que seu país não terminou ainda de curar as feridas da guerra de 2006 e não pode suportar outro conflito bélico.

EFE rd-ks/jp

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