Tempo se esgota para vítimas soterradas no Haiti

As equipes de resgate enfrentam um dia crucial no Haiti nesta sexta-feira, enquanto correm contra o tempo para ajudar as estimadas milhares de pessoas ainda soterradas sob escombros no país.

iG São Paulo |

Segundo especialistas em desastre, a maior parte das mortes em terremoto ocorrem nas primeiras 72 horas depois do tremor. Como o terremoto ocorreu um pouco antes das 17 horas locais (19 horas em Brasília), o marco de 72 horas ocorre na tarde desta sexta-feira.

AFP
Equipes resgatam vítima em hotel

Equipes resgatam vítima em hotel

Trabalhadores de resgate conseguiram retirar várias pessoas dos destroços, mas ainda há muitos soterrados.

As equipes têm de trabalhar rápido, disse à CNN Tammam Aloudat, oficial graduado para emergências em saúde da Federação Internacional da Cruz Vermelha em Genebra, Suíça.

Ian Bray, da agência humanitária Oxfam, também ressaltou que o tempo é essencial.

"Basicamente, por quanto tempo as pessoas podem sobreviver sob toneladas de ruínas sem água e comida?", indagou. "A água é a questão-chave. Suporta-se algum tempo sem alimentos, mas não muito tempo sem água."

E sem a assistência médica adequada para tratar ossos quebrados e coibir as infecções, o número de mortos pode subir ainda mais.

Trabalho arriscado

Por toda a capital, equipes de busca de todo o mundo uniram-se aos haitianos para continuar a dolorosa tarefa de mexer nos precários destroços de hotéis, casas e outras construções.

Ouvindo o lamento dos sobreviventos, escalaram as ruínas e as afastaram com as próprias mãos. "Ao olhar para essas estruturas, vê-se o quanto elas são instáveis", disse o americano Mark Stone, que trabalha com uma equipe de Virgínia. "A última coisa que queremos é colocar nossa equipe em uma situação em que ela mesma precise ser resgatada", afirmou.

Durante a madrugada desta sexta-feira, oito pessoas foram resgatadas do Hotel Montana, um popular destino turístico de Porto Príncipe.

Para as equipes de resgate e para os soterrados, cada hora que passa é inimiga. A possibilidade de resgate está diminuindo", disse Florian Westphal, porta-voz da Comissão Internacional da Cruz Vermelha, em Genebra.

Moradores entrevistados em toda a cidade disseram que os lamentos que ouviam das construções destruídas nas horas iniciais do terremoto começaram a diminuir, ou silenciaram completamente.

Na quinta-feira, as equipes se preocupavam em que não poderiam ajudar muitas pessoas por causa da escassez de equipamento pesado.

Onde está a resposta?, questionou Eduardo A. Fierro, um engenheiro estrutural da Califórnia que chegou na quinta-feira para inspecionar as construções danificadas pelo terremoto. Não há o que fazer em relação aos mortos, mas dentro de muitas dessas construções pessoas ainda podem estar vivas. E seu tempo está acabando."

*Com informações do New York Times

Veja também:

Leia mais sobre terremoto

    Leia tudo sobre: haititerremototragédia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG