Tempo melhora e Malauí intensifica buscas por brasileiro desaparecido

As operações de busca para tentar localizar o brasileiro Gabriel Buchman, desaparecido em uma montanha do Malauí desde a semana passada, foram intensificadas nesta quarta-feira com a melhora do tempo na região.

BBC Brasil |


Buchman, de 28 anos, desapareceu durante a escalada da montanha Mulanje, no sul do país. Ele foi visto na última vez na sexta-feira, quando se preparava para a subida final ao pico Sapitwa, de 3.002 metros de altura.

A administração da montanha espera também pela chegada ainda nesta quarta-feira de um helicóptero da Força Aérea do Zimbábue, capaz de voar em grande altitude, solicitado pelo governo brasileiro para auxiliar as buscas.

Até ontem, a região vinha sofrendo com fortes chuvas e ventos, com nuvens baixas e frio, o que dificultava as buscas, segundo Carl Bruesson, diretor do Mount Mulanje Conservation Trust, a associação responsável pela administração da montanha.

Segundo ele, a chuva parou na terça-feira, melhorando a visibilidade no local. Apesar disso, a temperatura no pico chegou a -10ºC na madrugada.

Novos agentes

O governo brasileiro financiou a contratação de 20 novos agentes para as equipes de resgate, para auxiliar os demais que já estavam trabalhando nas buscas.

Segundo Bruesson, o total de pessoas envolvidas nas operações de resgate nesta quarta-feira chega a 60, incluindo três médicos e enfermeiros.

"Se encontrarmos Gabriel, ele provavelmente estará muito debilitado fisicamente e precisará primeiro ser estabilizado para poder ser transportado", explicou o diretor da associação à BBC Brasil.

Buchman teria ignorado as recomendações da administração de não fazer a escalada da montanha sozinho e dispensou seu guia na última etapa da subida, entre os 2 mil e os 3 mil metros, na sexta-feira.

Ao ver que o brasileiro não havia retornado ao acampamento no tempo previsto, o guia Lewis Maudzu comunicou seu desaparecimento no sábado a outros turistas, que chegaram no dia seguinte à base da montanha, a 500 metros, e comunicaram o sumiço à administração.

Buchman pode ter sido surpreendido pela rápida mudança no clima, com a chegada das chuvas e dos fortes ventos.

Sobrevivência

Para Bruesson, apesar das condições adversas possivelmente enfrentadas pelo brasileiro, ainda é possível encontrá-lo com vida. "Já se passaram cinco noites, mas alguns indivíduos podem sobreviver nessas condições", disse.

Segundo ele, o problema maior é a complexidade das buscas numa área acidentada e montanhosa. "Esperamos que com a chegada do helicóptero do Zimbábue possamos cobrir uma área mais extensa", diz.

O pico Sapitwa é o maior da África Central. Na língua local, seu nome significa "área proibida". Em 2003, uma holandesa de 22 anos também desapareceu na montanha. Ela nunca foi encontrada. "Espero que desta vez a história seja diferente", afirmou Bruesson.

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