Tempo está se esgotando para ataque ao Irã, diz especialista

Por Dan Williams HERZLIYA, Israel (Reuters) - Israel tem um ano para lançar um ataque preventivo contra as instalações nucleares do Irã, disse na quarta-feira um parlamentar israelense e especialista em armas.

Reuters |

Isaac Ben-Israel disse que as forças israelenses podem lançar ataques bem-sucedidos de modo independente, mas que esses ataques apenas atrasariam a obtenção de armas atômicas pelo Irã, não a eliminariam.

Ecoando avaliações feitas pelo governo israelense e compartilhadas por alguns analistas no Ocidente, segundo as quais falta mais ou menos um ano para o Irã obter urânio enriquecido suficiente para produzir uma ogiva nuclear, Ben-Israel disse que a janela de tempo para uma ação militar de último recurso está se fechando.

"Último recurso significa que você chega a um estágio em que todas as outras alternativas fracassaram. Quando é isso?" disse Ben-Israel, general aposentado e ex-funcionário do Ministério da Defesa, em conferência de segurança israelense em Herzliya. "Talvez em um ano, mais ou menos."

O Irã diz que seu programa atômico tem fins pacíficos, mas nações ocidentais suspeitam que ele possa ser empregado para produzir bombas. O discurso virulentamente anti-israelense de Teerã despertou medo no Estado judaico, que se acredita ser o único no Oriente Médio a possuir um arsenal nuclear.

Mas Mohamed ElBaradei, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU, disse esta semana que o Irã enfrentará obstáculos técnicos e políticos se quiser construir uma arma nuclear e que há "tempo bastante" para lidar com a questão.

"Mesmo que eu me baseie na CIA e outras agências de inteligência americanas, as estimativas são que estamos falando de entre dois e cinco anos de prazo" para o Irã ter a capacidade de produzir armas nucleares, disse ele.

OPÇÃO MILITAR "POSSÍVEL"

Ben-Israel, que faz parte do partido governista, de centro, Kadima, integra o comitê de Assuntos Exteriores e de Defesa do Parlamento e chefiou a unidade de pesquisas e desenvolvimento de armas do Ministério da Defesa.

Como os EUA sob o presidente Barack Obama, Israel se nega a excluir a possibilidade de recorrer à força militar para impedir o Irã de ter armas nucleares. Mas, rompendo com a administração Bush, Obama prometeu falar diretamente com Teerã sobre seu programa nuclear.

Por enquanto, Washington lidera os esforços para resolver a disputa através de uma combinação de incentivos diplomáticos e sanções econômicas.

Israel bombardeou o reator atômico do Iraque em 1981 e em 2007 lançou uma operação semelhante sobre a Síria que, segundo a CIA, destruiu um reator secreto, embora Damasco tenha negado que tivesse tal instalação.

Muitos analistas independentes acham que a Força Aérea israelense é pequena demais para eliminar as instalações nucleares iranianas, que são numerosas, distantes, dispersas e fortificadas.

Mas Ben-Israel discordou.

"A opção militar é possível", disse ele. "É possível para as forças independentes do Estado de Israel. É possível no sentido de atrasar (o programa iraniano) por alguns anos. Não será por mais de três anos, digamos, e, quanto mais tempo passa, mais diminui (o tempo de adiamento potencial)."

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