Templo religioso submerge em Bangcoc

Gaspar Ruiz-Canela. Ban Khun Samut Chin (Tailândia), 15 dez (EFE).- Dezenas de aldeões tailandeses e monges travam há anos uma batalha para evitar que um templo sucumba diante do aumento do nível do mar, um fenômeno causado pela mudança climática.

EFE |

Situado a 30 quilômetros de Bangcoc, em uma região litorânea onde os mangues já desapareceram e as famílias de pescadores tiveram de migrar, o avanço do mar afastou atingiu o templo de Khun Samut Trawat, unido agora a terra por uma estreita e frágil passarela.

Os poucos habitantes que permanecem na aldeia erguida na foz do rio Chao Phraya resistem para não perder o templo que construíram há décadas.

"Há 14 anos decidi recuperar o templo, que estava há mais 11 anos com um metro de água e, pouco a pouco, conseguimos isolá-lo construindo muros de pedras e rochas e replantando o mangue para frear a água", explicou à Agência Efe o abade Atikarn Somnuek Atipanyo, 43 anos.

Nas últimas duas décadas, a erosão do mar engoliu mais de dois quilômetros da costa em torno da aldeia de Samut Prakan, província vizinha à capital do país.

O abade lembra que para deixar de andar com a água até os joelhos, os monges arregaçaram as mangas e com mais imaginação que conhecimentos de engenharia conseguiram elevar em um metro o templo conhecido que esta afundando, condição que o transformou em um monumento digno de atrair a atenção de curiosos e turistas.

A constante elevação do nível do mar obrigou os aldeões a transferirem suas casas de lugar em direção aos locais mais distantes da água.

"Mas se as águas seguirem subindo, ninguém poderá evitar que desapareça o templo e, com o tempo, que o mar também invada Bangcoc", lamentou um morador.

Este é o futuro de Bangcoc, uma agitada metrópole onde os arranha-céu e casas disputam um palmo de terreno, não tem um futuro muito diferente que o desta pequena aldeia.

Smith Dharmasaroja, especialista em meteorologista tailandês que previu o tsunami que em 2004 causou uma das maiores catástrofes da Ásia, alertou que grande parte de Bangcoc será invadida pelo mar.

Ele calcula que até 2030 a água de atingir 1,5 metro, se as autoridades não tomarem medidas para frear a situação.

Grande parte do que hoje é a capital, foi construída há pouco mais de dois séculos sobre uma superfície lamacenta, ao fecharem pequenos canais, que deram o nome de "Veneza do Sudeste Asiático".

Agora, só aqueles moradores que vivem na região mais antiga da cidade têm à porta de casa um daqueles canais do passado, já que a maior parte está coberta pelo pavimento das ruas e o cimento das edificações.

A única semelhança de Bangcoc nestes dias com Veneza, é a que também está afundando, a um ritmo de mais de 7,5 centímetros ao ano por causa do aumento do nível do mar e o afundamento do terreno.

Há dois anos, um grupo de analistas propôs a construção de um muro de 80 quilômetros ao redor de Bangcoc, ao redor do rio Chao Phraya, semelhante aos de algumas regiões de Cingapura e os Países Baixos.

O Governo, no entanto, mantém paralisado o projeto, cujo custo chega a mais de US$ 3,2 bilhões e requereria oito anos de trabalhos.

Alguns bairros de Bangcoc são inundados em algumas épocas pela água salgada, que invade a partir do subsolo pelos sistemas de águas e esgoto, e que um potente sistema de bombeamento se encarrega de devolver ao mar.

Dharmasaroja advertiu que dentro de 15 ou 20 anos talvez seja tarde demais para evitar o afundamento da capital tailandesa. EFE grc/dm

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