Tempestade nas Filipinas chega 140 mortos

Carlos Santamaría. Manila, 28 set (EFE).- As equipes de resgate estão empenhadas hoje em levar ajuda aos cerca de 500 mil desabrigados pela tempestade tropical Ketsana, no norte das Filipinas, onde morreram pelo menos 140 pessoas e outras 32 continuam desaparecidas.

EFE |

Entre os mortos, ao menos 15 ainda estão sem identificação e o número definitivo de vítimas fatais deve superar 200 pessoas, segundo estimativa do Conselho Nacional de Coordenação de Desastres, a agência coordenada pelo ministro da Defesa, Gilberto Teodoro, encarregada de concentrar as informações oficiais sobre as inundações.

Os desabrigados superam as 451 mil pessoas, das quais 115,9 mil estão alojadas em 205 centros organizados pelo governo.

Segundo relatos das autoridades, entre os que ainda estão à espera de resgate existem filipinos que passaram todo o final de semana sobre o teto de suas casas, quase completamente submersas.

A prioridade é resgatar essa parcela de desabrigados antes que sejam contaminados por cólera ou dengue, facilmente transmissíveis em inundações, explicou o ministro Teodoro.

Participam das operações de salvamento, cinco companhias filipinas, além de 22 militares e um helicóptero americano, mais de 200 veículos entre caminhões, ambulâncias, caminhonetes e automóveis, oito navios e 59 lanchas que singram os bairros como se as ruas fossem canais venezianos, pela quantidade de água acumulada.

Em menos de 12 horas, o "Ketsana" despejou sobre a região um volume de chuva superior à média mensal nesta época do ano e bateu o recorde anterior, de 1967.

O Governo declarou estado de catástrofe em Manila e outras 25 províncias da ilha de Luzon.

As imagens das televisões mostram dezenas de filipinos se locomovendo em botes de plástico e balsas, entre carros abandonados e submersos, habitantes com a água até o pescoço, enquanto outros cruzam ruas com a água pelos joelhos.

Autoridades colocaram telefones à disposição, além de dezenas de contas bancárias para receber doações e comparam a tragédia aos estragos provocados pelo furacão "Katrina", nos Estados Unidos.

Embora a situação tenha melhorado hoje, com o afastamento de "Ketsana" - a interrupção da chuva e a diminuição dos níveis das águas, - um sistema de baixa pressão e uma depressão tropical se desloca a partir do Pacífico em direção ao arquipélago filipino.

"É bem provável que a intensidade aumente e passe a um tufão", advertiu o meteorologista Nathaniel Cruz, da Administração de Serviços Atmosféricos, Geofísicos e Astronômicos (Pagasa).

Ambos os fenômenos atmosféricos devem tocar a terra dentro de 48 horas, se as imprevisíveis correntes de ar não desviarem o curso em direção ao Taiwan.

Ainda é cedo para calcular as perdas econômicas causadas pela tempestade, mas a declaração de estado de catástrofe permitirá o desembolso de recursos para financiar a reconstrução e as tarefas de limpeza.

Por enquanto, as autoridades estimam os danos totais em 109,1 milhões de pesos (US$ 2,29 milhões ou 1,57 milhões de euros) no que diz respeito a despesas de infraestrutura.

"Ketsana", de nome local "Ondoy", chegou às Filipinas na madrugada de sábado com ventos superiores aos 100 km/h e deixou o arquipélago pelo Mar da China Meridional.

As autoridades vietnamitas alertaram à população que a tempestade deve chegar dentro de dois dias ao país. A região central, no entanto, ainda não se recuperou de outra inundação que matou 17 pessoas e deixou mais de seis desaparecidas.

Todos os anos, muitas pessoas morrem nas Filipinas e no Vietnã durante a estação chuvosa por causa de catástrofes naturais. EFE csm/dm

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