GAZA - O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, disse nesta segunda-feira que seu país vai travar uma guerra até as últimas consequências contra o grupo militante palestino Hamas e seus aliados na Faixa de Gaza. Temos uma guerra total contra o Hamas e seus semelhantes, disse, usando um termo empregado por ele no passado para descrever a luta de longo prazo contra os inimigos de Israel.


"Nós queremos paz, e estendemos a mão mais de uma vez ao povo palestino", afirmou Barak. "Não temos nada contra o povo de Gaza, mas temos uma guerra até o amargo fim contra o Hamas e suas extensões."

Ataques aéreos israelenses destruíram bastiões do governo do Hamas na Faixa de Gaza na segunda-feira, no terceiro dia da ofensiva que matou mais de 325 palestinos, na pior violência registrada no território em décadas.

Ampliando seus alvos para incluir entre eles o governo do Hamas na Faixa de Gaza, caças israelenses bombardearam o Ministério do Interior, que supervisiona os 13 mil membros das forças de segurança do grupo. O prédio foi esvaziado e não houve mortes.

O Hamas, um movimento islâmico, desafiou os ataques israelenses, os mais intensos no enclave costeiro desde a Guerra do Oriente Médio de 1967. Suas forças dispararam foguetes contra a cidade israelense de Ashkelon, matando uma pessoa, na segunda fatalidade do tipo desde o início do bombardeio israelense no sábado.

Israel disse que a ofensiva visa parar os ataques com foguetes na fronteira, intensificados depois do fim do cessar-fogo com o Hamas, em 19 de dezembro.

Autoridades médicas palestinas informaram que o número de mortos em Gaza chegou a 325, com mais de 700 feridos. As vítimas seriam em sua maioria integrantes do Hamas, grupo que assumiu o poder na Faixa de Gaza em junho de 2007.

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) disse que ao menos 57 dos mortos eram civis. Os números, considerados "conservadores" pelo porta-voz da agência, foram baseados em visitas a hospitais e centros médicos.

Israel declarou áreas ao redor da Faixa de Gaza como "zona militar fechada", citando risco de foguetes palestinos e ordenando a retirada de jornalistas que observavam a escalada de Forças Armadas se preparando para uma possível invasão terrestre do território.

"Você tem de ir", disse um porta-voz do Exército a uma correspondente da Reuters depois de ela exigir uma diretiva policial militar para sair.

A retirada da imprensa pode ajudar Israel a manter sigilo sobre os preparativos para uma incursão em Gaza após três dias de ataques aéreos que provocaram o caos, deixando alguns prédios em ruínas e hospitais em precárias condições.

A maioria dos moradores de Gaza permaneceu em casa, longe das janelas que poderiam se quebrar com as explosões dos ataques aos prédios do Hamas. Moradores da região sul de Israel fugiam para abrigos ao som de alarmes que avisavam a chegada de foguetes.

Mark Regev, porta-voz do primeiro-ministro Ehud Olmert, disse que a ação militar, lançada após o fim do cessar-fogo de seis meses, prosseguirá até que a população no sul de Israel "não viva mais sob o terror e temendo o constante disparo de foguetes. (A operação pode) levar muitos dias", disse o porta-voz militar Avi Benayahu.

No que chamou de ataque "terrorista", os militares israelenses disseram que um palestino esfaqueou três israelenses no assentamento judaico de Kiryat Arba, na Cisjorânia, antes de ser atingido por um tiro de um pedestre e depois preso. Um dos israelenses feridos estava em condição grave.

O porta-voz do Hamas Fawzi Barhoum pediu no domingo que grupos palestinos usem "todos os meios disponíveis, incluindo operações de martírio" contra Israel - referência aos ataques suicidas durante o levante palestino iniciado em 2000, que depois diminuíram.

Uma autoridade israelense negou a sugestão de que Israel agiu agora por ver uma janela de oportunidade com Bush deixando a presidência dos Estados Unidos e Barack Obama se preparando para entrar na Casa Branca.

"Por que tudo tem de estar conectado aos EUA? Uma data muito mais importante para Israel é 10 de fevereiro", disse o oficial, referindo-se à eleição parlamentar israelense.

"Não era mais sustentável politicamente para os líderes em Israel sentar de lado e deixar o Hamas continuar atirando", disse a autoridade.

Nesta segunda-feira a Alemanha culpou o Hamas pelo surto de violência na Faixa de Gaza, exingindo que o movimento islâmico pare de atirar foguetes para que sejam encerrados os ataques de Israel.

O porta-voz do governo alemão, Thomas Steg, disse em entrevista coletiva que o Hamas deve imediatamente e permanentemente parar de atirar foguetes para que as operações militares israelenses possam acabar rapidamente.

O apoio da Alemanha a Israel, parece ser mais forte do que o de outras nações européias. Os comentários do governo alemão, que raramente critica Israel devido ao legado do holocausto, ecoaram a postura dos Estados Unidos.

A primeira-ministra alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, concordaram em uma conversa por telefone que a responsabilidade pela dimensão dos ataques é "claramente e exclusivamente do Hamas", disse Steg.

"O Hamas quebrou unilateralmente o acordo de cessar fogo", disse o porta-voz, acrescentando que é direito de Israel proteger seu próprio povo.

Veja o infográfico sobre o conflito:

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